quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Igreja Mórmon reconhece que seu fundador teve até 40 esposas

Informação foi divulgada em um ensaio publicado no site da igreja

Veja

Retrato de Joseph Smith (Reprodução)

A Igreja Mórmon reconheceu pela primeira vez em sua história que seu fundador, Joseph Smith (1805-1844), teve entre 30 e 40 esposas, entre elas uma de 14 anos. A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, como é formalmente chamada essa confissão religiosa com sede no estado de Utah, nos Estados Unidos, publicou em outubro a informação em um ensaio em seu site que inicialmente acabou passando despercebido, mas que na terça-feira foi recuperado por vários veículos da imprensa local e nacional.

Até agora, a Igreja Mórmon mantinha oficialmente a versão de que Smith só teve uma esposa - chamada Emma. A admissão sobre a vida do profeta do século XIX se encaixa com a prática de poligamia que a igreja abandonou formalmente em 1890, mas que continua vinculada com essa confissão na cultura popular dos Estados Unidos. A divulgação dessa informação faz parte de um esforço da Igreja Mórmon para ser mais transparente em relação a sua história devido às acusações que surgiram sobre o tratamento de mulheres e minorias, segundo uma análise do jornal Boston Globe.

Smith teve entre 30 e 40 esposas com idades entre 14 e 56 anos, embora a maioria delas tivesse entre 20 e 40 anos. Algumas também eram casadas com amigos do profeta, segundo o texto. É provável que Smith não mantivesse relações sexuais com todas as mulheres porque muitas estavam "reservadas" para sua vida no céu, mas essa poligamia causava um "sofrimento insuportável" à sua primeira esposa, Emma, de acordo com o ensaio.

Smith se voltou para a poligamia durante suas leituras do Antigo Testamento em 1831, quando descobriu que muitas figuras bíblicas, como Abraão, Davi e Salomão, tiveram mais de uma esposa. "A mesma revelação que ensinava sobre o casamento plural fazia parte de uma revelação mais ampla que Joseph Smith teve. O Casamento podia durar até depois da morte e esse casamento eterno era essencial para herdar a plenitude que Deus deseja para seus filhos", afirma o texto.

Estima-se que cerca de 40.000 moradores de Utah mantêm hoje casamentos polígamos, apesar de a Igreja Mórmon insistir que não são membros de sua confissão, que em 1890 rejeitou a poligamia por causa da pressão do governo americano e, desde então, excomunga aqueles que a praticam.

(Com agências EFE e Reuters)

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