terça-feira, 26 de agosto de 2014

A verdade sobre os Médicos Cubanos


Cuba é uma “coisa” de Fidel. Ele é seu dono, à maneira de um proprietário de terras do século XIX. Como se tivesse transformado e aumentado a hacienda de seu pai para fazer de Cuba uma única hacienda de 11 milhões de pessoas. Ele dispõe da mão de obra nacional do jeito que quer. Quando a universidade de medicina forma médicos, por exemplo, não é para que eles exerçam livremente a profissão. É para que se tornem “missionários” enviados às favelas da África, da Venezuela ou do Brasil, conforme a política internacionalista concebida, decidida e imposta pelo chefe de Estado. Ora, em missão no estrangeiro, esses bons samaritanos tocam apenas numa pequena fração do salário que o país que os acolhe deveria lhes pagar, pois sua parte mais importante é transferida para o governo cubano, que age na qualidade de prestador de serviços. Do mesmo modo, os hotéis estrangeiros, franceses, espanhóis ou italianos que contratam funcionários cubanos na ilha não pagam eles mesmos seus empregados, como acontece em qualquer sociedade livre: eles pagam os salários ao Estado cubano, que fatura essa mão de obra a um preço muito alto (e em moeda estrangeira) antes de repassar uma parte ínfima aos trabalhadores (em pesos cubanos, que não valem quase nada). Essa variante moderna da escravidão não deixa de lembrar o laço de dependência que existia nas plantations do século XIX, tendo em vista o senhor todo-poderoso. De resto, ela vai totalmente de encontro aos princípios da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que estipula textualmente que “todo trabalhador tem o direito de receber um salário sem a intervenção de um mediador”.

Para isentar-se de todo controle, Fidel, que está acima das leis, criou há muito tempo — nos anos 1960 — a famosa reserva del comandante. Trata-se de uma conta particular constituída de fundos especiais retirados da atividade econômica nacional. Destinada ao uso exclusivo do comandante, ela escapa a qualquer inspeção. Fidel a utiliza de maneira discricionária. Quase sagrada, a reserva do comandante é intocable. É claro que Fidel diz que as necessidades da Revolução, ou seja, a ameaça de um ataque imperialista, impõem esse modo de gestão pouco ortodoxo. Na verdade, a reserva serve tanto aos interesses pessoais de Fidel Castro quanto à ação pública. Ela é o dinheiro vivo que lhe permite viver como um príncipe sem nunca pensar em seus gastos. E também é ela que o autoriza a se comportar como um grande senhor quando se desloca pela província, sobre “suas” terras, atravessando “sua” ilha. Fidel pode, de fato, tirar a qualquer momento dinheiro do próprio bolso para construir um centro de saúde, uma escola, uma estrada, ou fornecer carros a tal municipalidade (pois a reserva também compreende uma frota automotora) sem passar por um ministério ou uma administração. Basta que o benfeitor se vire para o seu assistente e lhe indique uma quantia para que este ou aquele projeto se torne realidade… e para que Fidel vire imediatamente um fazedor de milagres. Ou seja, um populista.

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Trecho do livro "A Vida Secreta de Fidel: as revelações de seu guarda-costas pessoal", Juan Reinaldo Sánchez (Paralela)
Imagem: Internet

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