quinta-feira, 13 de março de 2014

Os programadores de mentes


Os exercícios de programação mental agem como um demônio, que promete os reinos deste mundo

por Fabio Blanco

Um poder oculto se movimenta no seio da sociedade. Um poder impensavelmente grande, que é capaz de fazer homens distintos rastejarem. Uma força que sabe como acessar os recônditos do indivíduo e ali fazer o que bem entende. Talvez, muitas pessoas não saibam, mas todo esse poder está sendo desenvolvido pela Psicologia.

A Psicologia é uma ciência nova. O que são pouco mais de 100 anos para que uma área do conhecimento se desenvolva? E desde que os fisiologistas e psicofísicos decidiram trazer os estudos sobre a mente para dentro do laboratório, passaram a sonhar com uma verdadeira ciência, com sua estruturação e o encontro de respostas definitivas.

Pouco mais de um século passou e não há respostas definitivas. A nova ciência sequer chegou perto disso. Ela ainda vacila em conceitos, em determinações e compreensões sobre como funciona a mente humana e sobre o que é a consciência.

Apesar disso, o que parece até um paradoxo, não há campo do conhecimento humano que mais desenvolveu técnicas eficientes como a Psicologia. Como ciência ela falhou, mas como técnica é um tremendo sucesso. Se ela mal pode explicar o que ocorre no interior do ser humano, em sua mente e consciência, certamente ela aprendeu, de uma maneira muito eficiente, como provocar reações, como despertar pensamentos e como dirigir cérebros.

Os avanços técnicos psicológicos são, certamente, o maior poder que o ser humano teve em suas mãos, em toda a história. Nenhum ditador, nem rei ou imperador jamais sonhou com tamanha concentração de força. O que os experts dessas técnicas possuem é algo muito maior do que qualquer pessoa poderia sonhar. De certa forma, os homens estão em suas mãos. 

Há, nos círculos profissionais e pedagógicos uma euforia no uso desses conhecimentos. E não é para menos, pois, de alguma maneira, eles realmente funcionam. Os resultados são visíveis e imediatos. Mais ainda, alcançados sem grandes esforços. Os exercícios de programação mental agem como um demônio, que promete os reinos deste mundo. E, de algum jeito, ele cumpre a promessa.

É verdade que os resultados são temporários e não alcançam o profundo da alma humana. Mas, neste mundo superficial, quem quer ir tão fundo? O que importa é atingir as metas imediatas, fazer o que há cinco minutos parecia impossível. É por isso que uma multidão de jovens empresários, vendedores, funcionários de empresas e profissionais liberais estão deixando rios de dinheiro nas mãos desses programadores, chamados mais modernamente de coachings. Se é resultado que todos buscam, são resultados que obterão.

Muitos irão perguntar: que mal pode haver em tudo isso? Pergunta nada surpreendente em uma sociedade sem princípios. Para ela que apenas conhece a liberdade exterior, que não entende o que seja uma consciência liberta e que não vê qualquer conflito entre dizer-se independente e entregar sua mente nas mãos de um manipulador qualquer, perceber o perigo a que ela se está expondo é impossível.

Poucas pessoas têm enxergado a periculosidade dos trabalhos oferecidos pelos programadores de mentes. A vítima, neste caso, não é apenas o indivíduo em seus interesses mais pessoais, mas uma sociedade que está se acostumando a abrir mão de sua auto-determinação. A busca, cada vez maior, por esses grupos de manipulação mental apenas expõe uma característica evidente deste novo mundo: a completa ausência de preocupações com verdades mais profundas.

De fato, poucas coisas são tão certas em nossa sociedade do que sua disposição para entregar sua liberdade em favor de pequenos benefícios. Vendem sua alma por um prato de lentilhas.

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