domingo, 22 de dezembro de 2013

O elogio do crime

O ladrão inglês Ronald Biggs, que morreu  aos 84 anos, teve uma vida de celebridade

Veja

Só mesmo um século como o XX, marcado pela banalização - do mal, da vida, do que é ser uma personalidade -, poderia glorificar um ladrão, como fez com o inglês Ronald Arthur Biggs, que morreu no dia 18, aos 84 anos, em uma cada de repouso londrina. Argumentou-se, mundo afora, que não se tratava de um bandido qualquer, devido à sua participação no famoso assalto ao trem pagador. O crime: em 8 de agosto de 1963 - seu 34º aniversário -, Biggs mais dezesseis homens levaram de um combio que fazia o trajeto Glasgow-Londres nada menos do que 2,6 milhões de libras (hoje, 40 milhões de libras, cerca de 152 milhões de reais). A maior parte do dinheiro jamais foi recuperada. O mais impressionante é que Biggs não foi sequer o protagonista do roubo, o que, pela lógica da perversidade, justificaria a sua consagração. 

Condenado a trinta anos de prisão, conseguiu fugir. Viveria no Rio por três décadas com status de celebridade. Localizado, não pôde ser extraditado - sua amásia, Raimunda de Castro, uma ex-stripper, estava grávida. Da relação nasceria Michael, que entrou para o imaginário de milhões de crianças brasileiras como o Mike da Turma do Balão Mágico cantando: "Sou feliz, por isso aqui". Biggs deve ter sido feliz aqui. São famosas as fotos dele na praia, tomando chope, tocando tamborim ao lado de belas mulheres. Em 1978, gravou o clipe No One Is Innocent, com a banda punk Sex Pistols, que o citava na letra: "Deus salve Ronald Biggs". Após sua morte, o filho postou que o considerava um "mestre". Seu ghost writer o saudou como um dos grandes personagens dos últimos cinquenta anos. Como se vê, o século XXI segue parecido com o XX.

É punk. Bigss e os integrantes dos Sex Pistols, com quem ele gravou um clipe que o homenageia

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