segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Islamofobia


Hoje, quase todos os atentados terroristas são praticados por muçulmanos. Isso, nem era preciso repetir, não quer dizer que todos os muçulmanos sejam terroristas ou defendam o terrorismo. Significa, porém, que há algo em sua cultura, alimentada pelo fanatismo, que cria um clima mais propício ao terror como instrumento político ou religioso.

Basta ver a lista dos principais atentados terroristas das últimas décadas. Respire fundo:

Em 1979, oitenta iranianos invadiram a embaixada americana em Teerã e fizeram 52 reféns, durante 444 dias; em 1980, seis terroristas islâmicos tomaram a embaixada do Irã em Londres e mataram duas pessoas; em 1983, integrantes do Hesbollah, com apoio de Líbia e Irã, explodiram, com bombas suicidas, a embaixada americana de Beirute, matando 63 pessoas; no mesmo ano, o grupo jogou um caminhão com explosivos na embaixada americana, agora do Kwait; em 1984, um ataque com bombas à em baixada americana no Líbano matou 24 pessoas; em 1985, terroristas que trabalhavam para o governo da Líbia bombardearam os aeroportos de Viena e Roma, matando vinte pessoas; em 1988, uma bomba explodiu num voo da Pan Am e matou 270 pessoas na Escócia; em 1992, o Hesbollah bombardeou a embaixada israelense em Buenos Aires; em 1993, um carro-bomba explodiu no World Trade Center, matando sete e ferindo centenas; em 1994, um atentado explodiu o prédio da AMIA na Argentina, deixando 85 mortos e trezentos feridos no maior ataque terrorista da América Latina; em 1998, um carro-bomba explodiu na embaixada americana do Quênia, e, poucas horas depois, outra explosão, desta vez na embaixada da Tanzânia, deixou um total de 224 civis mortos, e mais de 5 mil feridos; em 2001, o World Trade Center foi destruído por dois aviões, com mais de 3 mil mortos; em 2002, um atentado terrorista em Bali deixou mais de 180 mortos e trezentos feridos; em 2004, uma explosão num trem matou mais de duzentos e feriu mais de 2 mil em Madri; em 2005, Londres foi vítima de uma série de explosões de bombas que atingiram o sistema de transporte público, deixando mais de cinquenta mortos e setecentos feridos; em 2013, duas bombas explodiram na maratona de Boston, matando três pessoas e ferindo 170.

A lista, que enxuguei, poderia ser muito maior, mas o leitor deve estar sem fôlego. Os casos selecionados servem para mostrar que terroristas islâmicos são atuantes há décadas, de forma sistemática, e em diversos países ocidentais ou em suas embaixadas mundo afora. Culpa do Bush? Culpa do Tio Sam? Ou será que estamos diante de um inimigo que deseja nada menos do que o extermínio de um estilo de vida, que é, por acaso, o ocidental, com sua liberdade individual arrasadora para aqueles que vivem sob o domínio do Islã?

Se você, contudo, levanta tais fatos, sofre de “islamofobia”, segundo a esquerda caviar. Como disse Walter Laqueur em After the Fall, a “islamofobia” é basicamente um termo propagandístico criado com o intuito de suprimir qualquer crítica ou oposição às demandas e reclamações de imigrantes islâmicos que recusam a se adaptar ao ambiente cultural que os acolheu.

A esquerda caviar não sofre desse “preconceito”. Seus membros são mais abertos, mais tolerantes, mais dispostos ao diálogo entre as culturas. Claro, isso não os impede de praticar a “cristofobia”, como diz Reinaldo Azevedo. Ou seja, detonar sempre que possível o cristianismo. Meter o pau na principal religião ocidental, tudo bem; é até desejável para os inteligentes da esquerda caviar.

Movimentos gays costumam encenar a crucificação de Cristo, só que o retratando como um homossexual. Nesses atos, colocam Cristo beijando outro homem na boca. Na Marcha das Vadias, em 2013, que ocorreu durante a visita do papa Francisco ao Brasil, manifestantes se masturbaram em público usando uma cruz. Ofensa gratuita aos cristãos. Isso pode? Por que não vemos a “marcha das minorias tolerantes” protestando contra isso? O duplo padrão da esquerda caviar é evidente. No fundo, mostra-se intolerante, preconceituosa e, acima de tudo, muito hipócrita.

Muitos apontam para as atrocidades praticadas pela Igreja para suspender o julgamento acerca das barbaridades islâmicas. Só um detalhe: voltam mais de cinco séculos no tempo para fazer tal comparação. Torquemada, o terror da Inquisição espanhola, é o ícone que absolve os terroristas e fundamentalistas muçulmanos do século XXI!

Claro que escapa à esquerda caviar o óbvio: podem praticar a tolerância ao Islã e o ódio ao cristianismo do conforto ocidental, enquanto, fosse o contrário, ou seja, se criticassem os seguidores de Alá e tolerassem os de Cristo nos países islâmicos, o resultado seria certamente a morte. Reinaldo Azevedo argumenta que o cristianismo é, hoje, a religião mais perseguida do mundo:

A quase totalidade de mortes em razão de perseguição religiosa se dá contra cristãos: na Nigéria, no Sudão, na Indonésia, em quase todos os países árabes, sejam eles aliados do Ocidente ou não. Há quase dois milhões de filipinos católicos trabalhando na Arábia Saudita, fazendo o serviço que os nativos se negam a fazer. Estão proibidos de cultuar sua religião. A transgressão é considerada um crime grave. Na Nigéria, no Sudão ou na Indonésia, não se queimam exemplares da Bíblia, não; queimam-se pessoas mesmo!

Alguém já viu a esquerda caviar, laica, tolerante, mostrar indignação contra esses absurdos? Enaltecer O código Da Vinci de Dan Brown, mesmo com suas inverdades de livro de ficção, isso é possível no Ocidente. Atacar o papa com os termos mais chulos, também. Mas elogiar Os versos satânicos de Salman Rushdie nos países islâmicos é assinar sentença de morte, assim como desenhar charges irônicas do profeta Maomé. Isso seria “ofensivo” aos muçulmanos. Mas eles podem usar a última moda: camisas com as torres gêmeas de Nova York em chamas. Isso é liberdade de expressão.

A esquerda caviar ataca os “intolerantes”, não do Islã, mas do Ocidente, que ousam escrever tais livros ou desenhar tais charges! Fez um desenho de Maomé com uma bomba no turbante? Ora, não reclame se for morto, pois quem mandou ofender os pobres crentes? Derrubou o World Trade Center? Então vamos construir uma mesquita no local, para mostrar como somos legais. A postura covarde do Ocidente, que escolhe a vida calma imediata, é um convite à escalada terrorista islâmica.

Reconhecer a superioridade da cultura ocidental é etnocentrismo e preconceito para a esquerda caviar. Os moderninhos estão acima dessa disputa infantil, desse Fla x Flu. Eles são o futuro, abertos a todos, sem distinção entre Suíça e Paquistão, Austrália e Arábia Saudita, Nova Zelândia e Irã. São “apenas diferentes”; ninguém é melhor que ninguém.

A italiana Oriana Fallaci, em desabafo após o atentado de 11 de setembro e a reação covarde de boa parte do Ocidente, escreveu The Rage and the Pride, livro em que denunciou uma “cruzada reversa” para destruir tudo o que nossa civilização construiu. Ela reconhecia aquilo que Samuel Huntington apontou em seu clássico livro: um choque de civilizações em curso.

Uma parte da raiva da autora é dedicada aos que tentam analisar tudo pelo prisma de “diferenças culturais” apenas. Fallaci refresca a memória dos leitores a respeito do atraso e da barbárie que tal “civilização” representa. Questiona qual a grande contribuição ao mundo que veio de lá, citando Copérnico, Galileu, Newton, Darwin, Pasteur e Einstein do “lado de cá”, nenhum deles seguidor do “profeta”.

O motor, o telégrafo, a luz elétrica, a fotografia, o telefone, o rádio, a televisão, o computador, nada foi inventado por um aiatolá da vida, mas pelos ocidentais. O trem, o automóvel, o avião, o helicóptero e as espaçonaves, tudo criação ocidental. Os transplantes de coração e pulmão, as curas para alguns tipos de câncer, a decodificação do genoma, tudo que é avanço medicinal, nada fruto dos seguidores de Alá.

É verdade que, nos remotos tempos medievais, o Islã foi capaz de produzir alguns filósofos importantes, que beberam da fonte grega ocidental. Eram os casos de al-Farabi e Avicena, influenciados por Platão e Sócrates. Estamos falando, entretanto, dos séculos X e XI, muitos distantes no tempo.

Muito se fala da “era de ouro” do Islã, mas há muitos mitos nisso. Rose Wilder Lane, em The Discovery of Freedom, chega a incluir os sarracenos nas importantes tentativas de luta contra a autoridade arbitrária. Houve, de fato, um período de relativa paz sob o Islã. Uma “paz” passageira, porém, que não deixou de tratar cristãos e judeus como cidadãos de segunda e terceira classes. Sem falar de vários massacres de judeus ocorridos nessa mesma época “dourada”.

Em 1453, a cidade de Constantinopla, símbolo do cristianismo em Bizâncio, foi tomada pelos otomanos. Uma Europa dividida entre si, sem condições para formar uma coalizão contra o inimigo comum, acabaria derrotada. O exército conquistador partiu então para a pilhagem irrestrita, e matou todos que lhe cruzaram o caminho, incluindo mulheres e crianças, escravizando o restante.

A cultura bizantina, que durante mais de um milênio existira no Bósforo, tinha Constantinopla como uma cidade na qual o intelecto era admirado e o pensamento clássico, estudado e preservado. Tudo isso acabara com a vitória dos turcos otomanos. A nova classe dominante desencorajava o estudo entre seus súditos cristãos. O Islã acabou optando por se fechar, por rejeitar a liberdade e a independência dos pensadores e dos cientistas. O abismo entre o progresso ocidental e o atraso islâmico, desde então, salta aos olhos de todos.

Mas eis que o Ocidente é a fonte de todos os males. Isso lembra até aquela cena do filme A vida de Brian, do Monthy Python, em que um grupo revolucionário planeja um atentado contra os romanos. Quando o líder tenta insuflar seus seguidores com o ódio e pergunta o que receberam do império romano, cada membro começa a citar um exemplo. No final, já exasperado, diz:

Tudo bem, tudo bem, mas, fora o saneamento, a medicina, a educação, o vinho, a ordem pública, a irrigação, as estradas, o sistema de água e a saúde pública, o que os romanos fizeram por nós?

E para o desespero total do líder, alguém ainda lembra: “Trouxeram a paz!” Só lhe resta mandar que todos se calem...

 Quais as conquistas da outra cultura, da cultura dos barbudos com turbantes que maltratam as mulheres? Nenhuma vitória nos campos da ciência, tecnologia ou bem-estar social. A duplicidade, a ambiguidade e a hipocrisia de muitos “pensadores” ocidentais colocam em risco a própria sobrevivência do Ocidente, a própria liberdade de expressão que hoje usam contra si mesmos. Manter os olhos fechados para a realidade não é uma opção aceitável. Quando resolverem abri-los, poderá ser tarde demais. Ayaan Hirsi Ali vai direto ao ponto:

Analistas irritantemente idiotas — sobretudo gente que se dizia arabista, embora parecesse nada conhecer da realidade do mundo islâmico — escreveram resmas de comentários. Seus artigos falavam do Islã que salvara Aristóteles e descobrira o zero, o que os estudiosos medievais tinham feito mais de oitocentos anos antes; falavam no islamismo como religião da paz e da tolerância, sem um pingo de violência. Aquilo não passava de balela, não tinha nada a ver com o mundo real que eu conhecia.

Mas a esquerda caviar não quer saber disso. O pós-moderno rejeita rótulos e hierarquia de valores. Tudo é pura questão de gosto. Claro, eles mesmos preferem viver no Ocidente, mas apenas porque se acostumaram a isso. E quando um deles vai visitar um país muçulmano, especialmente dos mais radicais, conta com forte aparato de segurança, pois no fundo sabe onde mora o perigo. Só não pode dizer isso abertamente, pois não pega bem com a turma. Melhor continuar demonizando Israel e os Estados Unidos e elogiando os países islâmicos...

Trecho do livro "Esquerda Caviar: A hipocrisia dos artistas e intelectuais progressistas no Brasil e no mundoRodrigo Constantino (Record)
Imagem: Internet

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