quinta-feira, 13 de junho de 2013

Papa vê atividade de 'lobby gay' no Vaticano


O papa Francisco lamentou em encontro fechado com um importante grupo eclesiástico da América Latina a existência um "lobby gay" em atividade dentro do Vaticano. Ao que parece, o papa se referiu a denúncias divulgadas nos meios de comunicação italianos sobre atos de chantagem e extorsão atribuídos a membros da alta cúria, supostamente homossexuais.

A Confederação Latino-americana e Caribenha de Religiosos (Clar), uma organização de sacerdotes e freiras de diversas ordens religiosas, confirmou que seus dirigentes escreveram uma síntese sobre as declarações de Francisco depois de audiência realizada no último dia 6. A Clar declarou-se profundamente preocupada pela publicação do documento e se desculpou diante do líder máximo da Igreja Católica.

No documento, Francisco é citado dizendo que ainda há muitas pessoas exemplares no Vaticano, mas também há uma corrente de corrupção. "Se fala do lobby gay, e é verdade, está aí. Vejamos o que podemos fazer", disse o papa, segundo a síntese. Já o porta-voz do Vaticano, o padre Federico Lombardi declarou, na terça-feira, que o encontro foi fechado e por isso não teria nada a declarar.

Nos dias que antecederam a renúncia do papa Bento XVI, abundaram nos meios de comunicação italianos reportagens sobre a existência de um "lobby gay" que influenciava o poder decisório do vaticano, mediante extorsão. As reportagens insinuaram também que o escândalo contribuiu para a renúncia de Bento XVI.

Nessas informações, procedentes de fontes não identificadas e publicadas pelo jornal romano La Repubblica e pela revista Panorama, os detalhes do escândalo figuravam em um informe secreto preparado para Bento XVI por três cardeais de confiança, que investigaram a filtragem de documentos papais no ano passado. Bento XVI deixou esse informe a Francisco. O Vaticano qualificou a reportagem de difamatória, "sem verificar, sem poder ser verificado ou completamente falso".

A informação inicial nunca precisou o significado de "lobby gay", mas o La Repubblica e a Panorama foram mais adiante, ao indicarem simplesmente que há uma subcultura homossexual dentro do Vaticano. Ambos os meios deram sinais de que havia prelados na alta cúria que estavam sendo extorquidos por serem homossexuais.

Na quarta-feira, grupos italianos defensores dos direitos homossexuais denunciaram o assunto como insensível e homofóbico. "Ainda que os sacerdotes tenham relações sexuais com outros homens, isso não autoriza ninguém a falar de um lobby gay, porque não estamos falando de um grupo que representa os interesses da comunidade homossexual, mas de um grupo que é uma parte integral de uma estrutura de poder - o Vaticano - que é violentamente homofóbico", disse Franco Grillini, presidente do grupo Gaynet.

As declarações de Francisco, tal como as difundiram os dirigentes da Clar, foram publicadas em espanhol, na terça-feira, no site progressista chileno "Reflexión y Liberación". Foram coletadas e traduzidas pelo blog de tendência tradicionalista Rorate Caelí, lido nos círculos do Vaticano.

A síntese diz que Francisco foi notavelmente franco sobre suas deficiências administrativas, ao passo que confiava no grupo de oito cardeais que designou para encabeçar uma reforma da burocracia vaticana. De acordo com o documento, o papa Francisco teria dito: "Eu sou muito desorganizado, nunca fui bom nisto, mas o cardeais da comissão vão levar [o caso] adiante".

A CLAR afirmou que não teria gravado as palavras de Francisco, mas que os membros de seu corpo dirigente - cinco membros, entre homens e mulheres - redigiram uma síntese para uso pessoal do papa. "É claro que sobre esta base não se podem atribuir ao Santo Padre, com segurança, as expressões singulares contidas no texto, somente seu sentido geral", explica a entidade. 

Agência Estado | Associated Press

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