quarta-feira, 10 de abril de 2013

Mesmo 70 anos após o Holocausto, ainda há menos judeus do que antes da guerra


Elías L. Benarroch | Efe/Uol

Mesmo 70 anos depois do Holocausto, que foi lembrado nesta segunda-feira, a população judaica no mundo continua a ser muito menor do que em 1938, e só conseguiu crescer em Israel, onde acaba de superar a simbólica marca de 6 milhões de pessoas.

Atualmente, o número de judeus é de aproximadamente de 13,8 milhões, disse à Agência Efe o demógrafo Sergio della Pergola, pesquisador da Universidade Hebraica de Jerusalém.

"Antes da Segunda Guerra Mundial (1939-1945) éramos 16,5 milhões, e depois ficamos em 11 milhões", explicou, ao fazer um balanço da situação.

Cerca de 6 milhões de judeus foram mortos entre 1935 e 1945 devido às políticas nazistas vigentes, a maioria a partir da aplicação da "Solução Final" em 1941, que incluía o envio, em massa, de judeus a campos de extermínio.

O Estado de Israel, criado três anos após o fim da Segunda Guerra, homenageia essas vítimas em uma jornada de luto que começou no domingo com uma cerimônia no Museu do Holocausto de Jerusalém (Yad Vashem), durante a qual é acesa uma tocha por cada milhão de "desaparecidos". Sirenes antiaéreas paralisaram todo o país durante dois minutos.

Della Pergola, de origem italiana, ressalta que o baixo crescimento demográfico dos judeus durante os 70 anos transcorridos desde o Holocausto contrasta fortemente com o aumento da população mundial.

Os judeus representam hoje 0,002% da população mundial, número três vezes menor do que o registrado em 1945. Segundo o especialista, o baixo crescimento se deve ao envelhecimento das comunidades fora de Israel, que apresentar baixos índices de natalidade, produto das normas e dos costumes das sociedades nas quais vivem.

Com isso, enquanto entre os judeus de Israel o índice de natalidade é de quase 3 filhos por mulher, fora do país ele fica entre 1,5 e 2.

Um segundo fator decisivo é o da assimilação, a perda da identidade judaica entre uma geração e a seguinte, em um processo que costuma começar com os casamentos mistos, apesar de essa não ser a única causa.

"É um paradoxo. Por um lado, o antissemitismo é um mal que cria um mecanismo de defesa coletivo, e por outro, a emancipação carrega consigo o preço da assimilação", afirmou Della Pergola, que defende a necessidade da implantação de políticas sociais e educativas mais efetivas dentro das comunidades judaicas.

Essas políticas, explica, "permitiriam que os judeus vivessem plenamente emancipados, mas sem perderem sua identidade".

Segundo os estudos realizados pela Universidade Hebraica de Jerusalém, 96% dos judeus fora de Israel se concentram em apenas 10 países, - todos eles democráticos - nos quais vivem plenamente emancipados.

Esse fato, somado ao baixo crescimento vegetativo (diferença entre a taxa de natalidade e a de mortalidade) e à emigração para o Estado de Israel, fez descer progressivamente, desde a década de 1970, o número de judeus que vivem "na diáspora".

Na ultima década, Israel recebeu anualmente entre 15 mil e 20 mil imigrantes judeus, mas na dos anos 90, esses números superavam os 100 mil graças à emigração em massa de habitantes da extinta União Soviética.

Um recente estudo do Escritório Central de Estatísticas constatou que, neste ano, Israel desbancou os Estados Unidos como país com o maior número de habitantes judeus e superou a simbólica barreira dos seis milhões, mesmo número de pessoas dizimadas durante o Holocausto. 

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