segunda-feira, 29 de abril de 2013

Educação por meio de Assassinatos em Boston


Qual será o impacto a longo prazo do ataque à Maratona de Boston e a subsequente perseguição, estilo filme de ação, entre 15 e 19 de abril, matando um total de quatro pessoas e ferindo 265?

por Daniel Pipes | The Washington Times
Original em inglês: Education by Murder in Boston
Tradução: Joseph Skilnik

Comecemos com o que não será impactado. O impacto não conciliará a opinião americana, se o slogan "United We Stand (Unidos Venceremos") durou apenas alguns meses após o 11/9, o consenso após o ataque de Boston será ainda mais elusivo. A violência não se traduzirá em medidas de segurança nos Estados Unidos, como as realizadas em Israel. Nem levará a um maior preparo para lidar com a violência mortal da repentina síndrome de jihad. Não acabará com a controvérsia quanto aos motivos que estão por trás da indiscriminada violência muçulmana contra não muçulmanos. E certamente não ajudará a chegar a termo em relação aos debates sobre imigração ou armas.

Selo postal United We Stand.

O que o impacto fará é muito importante: irá estimular alguns ocidentais a concluir que o islamismo é uma ameaça ao seu estilo de vida. Realmente, a cada ato de agressão muçulmana contra não muçulmanos, seja violenta ou cultural, recruta mais ativistas para a causa anti-jihad, mais eleitores para os partidos insurgentes, mais manifestantes nas ruas em favor dos esforços anti-imigração e mais doadores às causas anti-islamistas.

A educação por meio de assassinatos é o nome que eu dei a esse processo em 2002, nós que vivemos em democracias aprendemos melhor sobre o islamismo quando sangue corre pelas ruas. Inicialmente os muçulmanos encontraram uma imensa boa vontade, pelo fato do DNA Ocidental incluir compaixão para com os estrangeiros, minorias, pobres e afrodescendentes. Os islamistas então dissiparam essa boa vontade ao se engajar em atrocidades ou exibir atitudes supremacistas. Ataques terroristas notórios no Ocidente, 9/11, Bali, Madrid, Beslan, Londres, mobilizam a opinião mais do que qualquer outra coisa.

Eu sei, porque passei por esse processo em primeira mão. Sentado em um restaurante na Suíça em 1990, Bat Ye'or delineou seu receio em relação às ambições islamistas na Europa, mas eu achei que ela era alarmista. Steven Emerson me chamou em 1994 para me informar sobre o Conselho de Relações Americano Islâmicas, mas inicialmente eu dei ao CAIR o benefício da dúvida. Como outros, eu precisava de tempo para acordar e enxergar a magnitude da ameaça islamista no Ocidente.

Os Ocidentais estão realmente acordando frente a essa ameaça. Pode-se ter uma sensação realista da tendência verificando os desdobramentos na Europa, onde tópicos sobre imigração, Islã, muçulmanos, islamismo e Shari'a (lei islâmica) está na frente da América do Norte e da Austrália em cerca de vinte anos. Um indício da mudança é o crescimento de partidos políticos concentrados nesses problemas, incluindo o Partido da Independência do Reino Unido, a Frente Nacional da França, o Partido do Povo da Suíça, o Partido para a Liberdade de Geert Wilder da Holanda, o Partido para o Progresso da Noruega e os Democratas Suecos. Em uma recente eleição parlamentar complementar que atraiu muita atenção, a UKIP atingiu o segundo lugar, aumentando sua participação nos votos de 4% para 28%, criando com isso uma crise no Partido Conservador.

A mesquita e o minarete de Zurique.

Em 2009 os eleitores suíços endossaram um referendo por uma margem de 58 a 42 banindo os minaretes, uma votação mais significativa pela proporção do que pelas implicações políticas, que foram quase nulas. Uma pesquisa de opinião na época, descobriu que outros europeus compartilhavam as mesmas opiniões, praticamente nas mesmas proporções. A pesquisa de opinião também mostrou um endurecimento marcante, através dos anos, no enfoque sobre esses tópicos. A seguir (com os agradecimentos a Maxime Lépante) estão algumas pesquisas recentes realizadas na França:

67% disseram que os valores islâmicos são incompatíveis com os da sociedade francesa
70% disseram que há estrangeiros em demasia
73% veem o Islã de forma negativa
74% consideram o Islã intolerante
84% são contra a hijab em lugares privados abertos ao público
86% são favoráveis ao endurecimento ao banimento da burca

Segundo Soeren Kern, foram constatadas opiniões semelhantes sobre o Islã na Alemanha. Um relatório recente do Institut für Demoskopie Allensbach perguntou que qualidades os alemães associam ao Islã:

56%: almejam influência política
60%: vingança e retaliação
64%: violência
68%: intolerância em relação a outras religiões
70%: fanatismo e radicalismo
83%: discriminação contra as mulheres
Contrastando, apenas 7% dos alemães associam o Islã a abertura, tolerância ou respeito pelos direitos humanos.

Essa impressionante maioria é mais alta do que em anos anteriores, indicando que a opinião na Europa está endurecendo e se tornará mais hostil ao islamismo com o passar do tempo. Assim, a agressão islamista assegura que o anti-islamismo no Ocidente está vencendo a corrida contra o islamismo. Ataques muçulmanos que fazem alarde como os de Boston exacerbam essa tendência. O que é estrategicamente significativo. Isso explica meu otimismo cauteloso em relação à repulsiva ameaça islamista.



Daniel Pipes é diretor do Middle East Forum e colunista premiado dos jornais New York Sun e The Jerusalem Post. Seu website, DanielPipes.org, é a fonte de informação especializada em Oriente Médio e Islã com o maior número de acessos registrados na Internet. 

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