quinta-feira, 25 de abril de 2013

As armas são o problema?



Martelos e porretes causam mais mortes do que armas de fogo nos EUA. Quando serão criadas leis para regular o uso de ambos?

por Walter E. Williams | Townhall
via Mídia@Mais

Quando eu frequentava a escola primária e secundária nos anos 1940 e 1950, não ouvíamos sobre esses assassinatos que se tornaram rotina hoje em dia. Por quê? Certamente não foi por causa das leis rigorosas sobre porte de armas de fogo. Minha réplica do catálogo de vendas da Sears número 1902 mostra 35 páginas de anúncios de arma de fogo. As pessoas simplesmente enviavam seu dinheiro e uma arma de fogo era postada no endereço do pedido.

Dr. John Lott, autor de "Mais Armas, Menos Crimes", relata que até a década de 1960 algumas escolas públicas de Nova York tiveram clubes de tiro ao alvo, onde os alunos competiam em concursos de tiros por bolsas de estudos nas universidades.

Eles levaram seus fuzis para a escola nos metrôs e, na chegada, os entregavam para seu professor da sala de aula ou para o treinador no ginásio, pegando seus rifles depois das aulas para a prática de tiro ao alvo. Áreas rurais da Virgínia tinham uma longa tradição de estudantes do ensino médio que iam à caça de manhã, antes da escola e, por vezes, armazenavam seus rifles em seus carros que estavam estacionados no terreno da escola. Muitas vezes, um jovem ganhava como presente de aniversário de 12 ou 14 anos um brilhante e novo rifle calibre 22, dado a ele por seu pai.

Atualmente o nível de civilidade não é o mesmo do passado. Muitos dos jovens de hoje só vão para escola depois de passar por detectores de metal. Guardas patrulham os corredores da escola, enquanto carros de polícia fazem a ronda do lado de fora. Apesar destas medidas, assaltos, facadas e tiros continuam a ocorrer. De acordo com o Centro Nacional de Estatísticas da Educação, em 2010 havia 828.000 incidentes não fatais com características criminais nas escolas. Havia 470.000 roubos e 359.000 ataques violentos, dos quais 91.400 foram graves. No mesmo ano, 145.100 professores foram agredidos fisicamente, e 276.700 foram ameaçados.

O que explica o comportamento de hoje comparando-se com o passado? Por mais de meio século, os esquerdistas e progressistas do país – juntamente com a educação dominante, pseudointelectuais e os tribunais – travaram uma guerra contra tradições, costumes e valores morais. Essas pessoas ensinaram a sua visão de que não existem valores morais absolutos para os nossos jovens. Para eles, o que é moral ou imoral é uma questão de opinião, conveniência pessoal ou de um consenso.

Durante os anos 1950 e 1960, a educação do establishment lançou sua agenda para minar as lições aprendidas pelas crianças de seus pais e da igreja com modismos, como "clarificação de valores." As chamadas aulas de educação sexual são simplesmente doutrinação que procurou minar a família e as críticas da igreja contra o sexo antes do casamento. Aulas de abstinência foram ridicularizadas e consideradas fora de moda e substituído por lições sobre preservativos, pílulas anticoncepcionais e abortos. Para minar ainda mais a autoridade parental vierem as medidas legais e extralegais para ajudar adolescentes com abortos sem conhecimento ou o consentimento de seus pais.

São os costumes, as tradições, os valores morais e as regras de etiqueta que fazem uma sociedade civilizada e não as leis e regulamentos do governo. Estas normas comportamentais – transmitindo, por exemplo, por tradição oral os ensinamentos religiosos – representam um corpo de sabedoria refinada através dos séculos de experiência, por tentativas e erros, olhando para o que funciona. A importância dos costumes, tradições e valores morais como forma de regulação do comportamento reflete-se no fato de que as pessoas comportam-se mesmo que ninguém esteja olhando. Polícia e leis nunca podem substituir estas restrições na conduta pessoal, de modo a produzir uma sociedade civilizada. Na melhor das hipóteses, a polícia e o sistema de justiça criminal são a última linha desesperada de defesa para uma sociedade civilizada. Quanto menos civilizados nos tornamos mais leis são necessárias para regular o comportamento.

Muitos costumes, tradições e valores morais foram descartados sem a apreciação do papel que desempenharam na criação de uma sociedade civilizada e agora estamos pagando o preço.

O pior é que em vez de um retorno ao que foi eficiente, pessoas querem implantar o que soa bem, como políticas de tolerância zero onde portar uma pistola de água, fazer um desenho de uma pistola ou apontar o dedo e gritar “bang-bang" pode gerar uma suspensão da escola ou prisão.

Vendo como nós decidimos que deveríamos confiar em leis sobre armas para controlar o comportamento, o que deve ser feito para regular os cassetetes e martelos? Afinal, as estatísticas de criminalidade do FBI mostram que mais pessoas são assassinadas por cassetetes e martelos que rifles e espingardas.

Tradução: Maria Júlia Ferraz

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