quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Evangelização ou mercantilização da fé?



Dissertação de Mestrado em Teologia, defendida por Rubens Ferreira Maria na Escola Superior de Teologia 

Cotejamentos entre sagrado, fé, ética e igreja na  modernidade a partir dos estudos sobre a evangelização através do uso da mídia

Se partirmos do pressuposto que a humanidade tem uma essência naturalmente religiosa, e que a religião, conforme nos é apresentada no século XXI, também transporta os seus adeptos para a dimensão relacional do natural com o sobrenatural, concluiremos que a religiosidade encontra6se onde os seres humanos vivem e se relacionam. Consequentemente, na atualidade, a religião também está presente no “ar”, nas ondas tecnológicas da comunicação virtual e nas imagens apresentadas exaustivamente, sendo a mídia um dos veículos de sua divulgação. Somado a isto, temos o fato de que nas últimas décadas a comunicação de massa viabilizou a proliferação de espetáculos, por meio dos novos espaços midiáticos como a televisão e a internet. Nestes espaços, o próprio espetáculo está se transformando em um dos princípios organizacionais da vida cotidiana e da peculiar religiosidade contemporânea. Dessa forma, ao chegarmos ao final deste trabalho de dissertação, constatamos que a sociedade do espetáculo, apresentada e defendida por Debord na década de 1960, e onde estamos inseridos hoje, permite que a religiosidade propagada nos  mass media constitua6se como uma série de espetáculos, tecnologicamente sofisticados, para atender às expectativas do público6fiel6religioso que, logo à primeira vista, nos parece cada vez mais sedento por entretenimento. Paralelamente, as inúmeras formas de entretenimento invadem o cotidiano moderno e a multimídia, na mesma medida em que intensificam a forma e espetáculo da cultura da mídia. Assim, vemos  o despontar da vida religiosa também ser cada vez mais moldada pelo espetáculo. São incontáveis horas de conteúdo religioso presente nas telas da cultura da mídia, que apresentam não apenas os grandes momentos da vida comum recheados de representação,  mas proporcionam também material ainda mais farto para as fantasias e sonhos, modelando o pensamento, o comportamento, as identidades e a própria religiosidade. Neste caso, a profundidade da fé na religião espetacular não mais é mensurada pela qualidade teológica dos seus postulados, mas pela intensidade do sentimento do indivíduo que se entrega no fervor religioso, experimentado no contexto dos cultos. É  exatamente por isso que nestes cultos, os fiéis são tomados por ataques de catalepsia, convulsões, visões, acessos incontroláveis de riso, súbitas explosões de cantoria e até mesmo de latidos. Neste sentido, quando abordamos na nossa dissertação, a relação existente entre religião, mídia, espetáculo e entretenimento, refletimos em essência, sobre o cerne do discurso midiático, potencialmente dramático. As narrativas  e personagens presentes na mídia, de alguma forma, são dramatizados, a fim de provocar emoções, seja o riso ou a lágrima. 

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Imagem: Internet

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