sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Democracia na universidade católica

Safatle questiona universidades confessionais, mas deveria se informar melhor sobre o uso de verbas públicas. E a PUC já acolheu muitos marxistas ateus

Francisco Borba Ribeiro Neto | Folha de S. Paulo

A "crise" na PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica), aparentemente gerada pela indicação, por dom Odilo Scherer, do terceiro nome numa lista de candidatos a reitor elaborada pela comunidade universitária, é reflexo de um fenômeno cultural mais amplo.

Ele se manifesta também nas universidades públicas, como a USP -onde as invasões da reitoria pelos alunos têm sido frequentes.

A democracia não é construída pela força de alguns, ainda que estes se considerem maioria. Nazismo e fascismo tiveram apoio das maiorias, nem por isso foram democráticos.

A democracia depende de poder compartilhado, reconhecimento da dignidade de todos e respeito a normas universais. Nela, poder implica em autonomia, mas também em diálogo e busca do bem comum.

A gestão das grandes universidades brasileiras se rege por um sistema de poder compartilhado, iniciado pela PUC-SP, no qual a comunidade indica uma lista dentro da qual o órgão mantenedor (governo ou fundações) escolhe o reitor.

No caso atual, a comunidade se manifestou por meio da consulta que gerou a lista tríplice, na qual o cardeal escolheu o terceiro nome.

Neste sentido, a escolha -mesmo que não sendo pelo candidato mais votado- não feriu a tradição democrática da PUC. Identidade católica, pluralismo e democracia podem e devem andar juntos, basta haver diálogo e respeito mútuo -e esta é a mensagem central do artigo de dom Odilo publicado na Folha ("Identidade e pluralismo: a missão da PUC-SP", em 7/12).

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