quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Todas as Cruzadas visavam a Terra Santa FALSO


Financiados por Veneza, cavaleiros cristãos atacam a capital do Império Bizantino durante a Quarta Cruzada. A conquista de Constantinopla pelos cruzados em 1204, miniatura, séc. XV

Libertar os locais sagrados cristãos ocupados pelos muçulmanos não foi o único objetivo dessas expedições

por Olivier Tosseri | História Viva

Nem todas as oito cruzadas promovidas entre 1095 e 1270 tiveram como objetivo a luta contra os muçulmanos ou a libertação dos locais sagrados. Em 1198, o papa Inocêncio III convocou a Quarta Cruzada, mas depois do fracasso da anterior sua ideia não gerou grande entusiasmo. O objetivo era conquistar o Egito, que poderia servir de moeda de troca para recuperar Jerusalém, reconquistada alguns anos antes por Saladino.

Quem aceitou montar uma frota para transportar 30 mil homens foi a toda-poderosa República de Veneza, principal potência comercial do Mediterrâneo. Em meados de 1202, as tropas cruzadas se reuniram sob as ordens de Bonifácio de Montferrat, mas o contingente era bem menos numeroso do que o previsto. O doge de Veneza, Enrico Dandolo, não aceitou que os navios saíssem do porto sem que a soma fixada pela viagem fosse paga com antecedência. Endividados, os cruzados aceitaram o negócio que lhes foi proposto: em troca do adiamento do pagamento, eles se comprometiam a conquistar o porto cristão de Zara, na costa da Dalmácia, e entregá-lo aos venezianos. Apesar do receio provocado pela ideia de lutar contra outros cristãos, a cidade foi tomada, o que provocou a excomunhão dos cruzados por Inocêncio III.

A Quarta Cruzada, no entanto, não parou por aí. Alexis, filho do imperador bizantino Isaac II Ângelo, foi destronado por ordem de seu tio, Alexis III Ângelo, que ainda mandou prender seu pai. O príncipe Alexis propôs então aos latinos outra troca: pagaria a dívida dos cruzados com Veneza se eles o ajudassem a reaver o trono e expulsar o usurpador.

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