sexta-feira, 10 de agosto de 2012

O diabo: um bom negócio

Estes pregadores certamente descobriram um rico filão pastoral que, desafortunadamente, é enganoso, embora eficiente e altamente lucrativo.

por Frei Neylor Tonin | O Repórter

Mesmo entre os católicos, mas mais esforçadamente entre denominações evangélicas, ocorre o fenômeno de vender o engodo da revitalização do diabo. Pastores de parca e rombuda Teologia, em grande número, e Padres católicos, em menor quantidade, mas igualmente sem grandes leituras teológicas, estão colocando, literalmente, o diabo nas alturas. Seus cultos e atividades se centram no Maligno. O mundo está, segundo eles, infestado de diabos. As pessoas seriam habitáculos do demônio. E eles, Padres e Pastores, se autopromovem e posam como profetas modernos da libertação, como Sansões da fé que lutam e expulsam satanás da alma aterrorizada dos fiéis.

Olham para as pessoas sempre e obsessivamente à cata do diabo, assim como engraxates só têm olhos para sapatos de possíveis clientes. Assim também estes Exorcistas e Pastores estão à cata de clientes endemoniados. Quando uma pessoa se aproxima deles, olham-na pensando num possível demônio, colocando-se em guarda, a gosto e a contragosto do cliente, para expulsá-lo, numa encenação em que eles serão, ao mesmo tempo, os criadores do diabo e os protagonistas de sua expulsão.

Pobre demônio! Ao falar das conspirações do Maligno, seus rostos se transfiguram, suas vozes se alteiam e eles adquirem a estatura de imbatíveis atletas da vida espiritual. Recorrem, então, desproporcionalmente, a exorcismos ferozes e botam banca de senhores dos poderes infernais. “Sai, Demônio! Sai desta criatura de Deus, Encardido! Volta para tua casa! Que o Senhor te queime no fogo do inferno, Satanás!” Com a encenação pitoresca de suas intervenções destemperadas e orações nada teológicas, desfilam com garbo seus poderes e vaidades, tripudiando impávidos sobre os medos arrombados de seus atônitos ouvintes.

Estes pregadores certamente descobriram um rico filão pastoral que, desafortunadamente, é enganoso, embora eficiente e altamente lucrativo. Espalham o medo. São doutores na arte de assustar. Como se fossem uma padaria, eles vendem o pãozinho sempre quente e crocante do diabo. Vendem-no com arroubos de retórica, sem pejo, em encenações apocalípticas, para o aplauso frenético de suas plateias assustadas que engordam, entre gritos e preces, suas contas bancárias.

Bendito diabo, inesgotável fonte de renda, docinho & salgadinho de espertas confeitarias religiosas! Pena que seus padeiros sejam apenas exaltados mestres da retórica, mas ignaros aprendizes da Bíblia e da Religião!

Esta descrição é, propositadamente, caricatural e é certamente um pouco exagerada, mas não é, infelizmente, imaginosa, pois retrata uma realidade ocorrente e facilmente constatável na televisão e nos templos. Neles, o diabo é tratado como gran signore, como se fosse onipresente em seus malefícios. Jesus, tão invocado, entra apenas como figurante, numa encenação em que Exorcistas e Pastores se banham com as luzes da ribalta, escorraçando o Maligno para alívio dos crédulos possessos e aleluias dos ouvintes. (Sobre o diabo, sobre uma teologia sadia do diabo, voltarei em outra ocasião.)

Um comentário:

Anônimo disse...

Interessante é que os pastores de seitas evangélicas exorcistas(?) tiram o diabo(?) apenas dos outros; ao adoecerem não chamam outro pastor para exorcisar-lhes o mesmo do corpo, apenas nos outros. Já na nossa Igreja, os padres são muito arredios de qualquer problemas psicológico tratar-se do diabo, visto que o mundo está do jeito q gostam, seitas aos quase 50 000, fora as de fundo de quintal, dissensas entre si, chamam-se uns aos outros de hereges.