quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Na Expectativa da Guerra na Síria

por Daniel Pipes | The Washington Times
Original em inglês: Wait Out the War in SyriaTradução: Joseph Skilnik

Seja o primeiro de seus amigos a curtir isso. A desprezível presença de Bashar al-Assad no Palácio Presidencial de Damasco pode, contrário às suposições do Ocidente, fazer mais bem do que mal. Seu regime assassino, terrorista e pró Teerã é também não ideológico e relativamente secular, rejeita a anarquia, o domínio islamista, o genocídio e mantém um controle inescrupuloso sobre as armas químicas da Síria.

À medida que a guerra civil se intensifica, os países ocidentais vão aumentando a ajuda aos rebeldes para derrubarem Assad e seus asseclas. Com isso, o Ocidente espera salvar vidas e facilitar uma transição democrática. Muitas vozes no Ocidente reivindicam mais do que ajuda não letal sendo agora oferecida, querem armar os rebeldes, criar zonas de segurança e até juntar-se a eles na guerra contra o governo.

O Palácio Presidencial em Damasco. 

Entretanto, ajudar os rebeldes negligencia uma questão fundamental: a intervenção na Síria contra Assad promove nossos próprios interesses? Esta questão óbvia se perde pelo fato de muitos ocidentais estarem tão confiantes quanto ao seu próprio bem-estar que se esquecem da sua segurança e, em vez de se focarem nas preocupações daqueles que eles consideram fracos e explorados, sejam pessoas (por exemplo, povos nativos ou os mais humildes) ou animais (baleias e snail darters - tipos de peixes de água salgada). Os ocidentais desenvolveram mecanismos sofisticados para agir em relação a essas questões (por exemplo, ativismo no que se refere aos direitos dos animais e responsabilidade de proteger).

Contudo, para aqueles não tão confiantes, defender-se de ameaças a nossa segurança e a nossa civilização continua sendo uma prioridade da mais alta importância. Sob este enfoque, ajudar os rebeldes acarreta vários prejuízos para o Ocidente.

Primeiro, os rebeldes são islamistas e intencionam criar um governo ideológico ainda mais hostil ao Ocidente do que o governo de Assad. O rompimento das relações com Teerã será contrabalançado pela ajuda em promover, com ímpeto, a força bárbara das forças islamistas sunitas.

 

Rebeldes islamistas sírios e uma bandeira com a declaração da fé islâmica, a shahada.
 


Segundo, o argumento de que uma intervenção ocidental iria reduzir a investida islamista da rebelião através da substituição do equipamento militar fluindo de países sunitas, é risível. Os rebeldes da Síria não precisam da ajuda Ocidental para derrubar o regime (e não ficariam gratos se a recebessem, vide o Iraque para tirar as dúvidas). O conflito sírio, no fundo, contrapõe a maioria marginalizada do país, composta por 70 por cento de árabes sunitas contra a minoria de 12 por cento de alauítas, privilegiados de Assad. Adicione a assistência de voluntários islamistas estrangeiros bem como diversos estados sunitas (Turquia, Arábia Saudita, Catar) e o regime de Assad estará condenado. Assad não consegue derrotar a rebelião cada vez mais extensa contra o seu governo, a bem da verdade, quanto mais suas tropas assassinam e mutilam, mais deserções acontecem e o apoio a ele vai se reduzindo até o cerne alauíta.

Terceiro, agilizar o colapso do regime de Assad não salvará vidas. Não marcará o fim do conflito, meramente fechará o capítulo inicial que provavelmente seguir-se-á com uma violência ainda pior. À medida que os sunitas vão vingando seus quase cinquenta anos de submissão aos alauítas, a vitória dos rebeldes prenuncia um potencial genocídio. O conflito sírio irá provavelmente se tornar tão radical e violento que os ocidentais darão Graças a Deus por terem mantido distância de ambos os lados.


Em julho de 2012, o porta voz do ministério das relações exteriores da Síria, Jihad Makdissi anunciou a disposição do regime em usar armas químicas contra os inimigos estrangeiros.
 

Quarto, a continuidade do conflito sírio proporciona benefícios ao Ocidente. Vários governos sunitas observaram que a administração Obama está reticente quanto a agir e assumiram a responsabilidade de arrancar a Síria da órbita iraniana, o que é um desenrolar bem-vindo após décadas de acomodamento com a República Islâmica Xiita. Além disso, enquanto os islamistas sunitas estiverem combatendo os islamistas xiitas, ambos os lados estarão se enfraquecendo e a rivalidade letal reduzirá sua capacidade em causar problemas ao mundo exterior. Ao influenciar minorias incontroláveis (sunitas no Irã, curdos e xiitas na Turquia), a luta contínua na Síria também poderia enfraquecer os governos islamistas.

Quando o regime cair, a liderança alauíta, com ou sem Assad, poderá se refugiar nos redutos de seus ancestrais na província de Latakia no noroeste da Síria, os iranianos bem poderiam fornecer suprimentos pelo mar com dinheiro e armas, possibilitando que resistam por anos, exacerbando ainda mais o confronto entre islamistas sunitas e xiitas, desviando-os de atacar outros.

A única exceção em relação à política de não intervenção seria a de garantir a segurança do vasto arsenal de armas químicas da Síria, tanto para evitar que caia nas mãos de grupos terroristas como para evitar que Assad posicione-as em um cenário de Götterdämmerung (o colapso de uma sociedade ou regime marcado pela catastrófica violência e desordem) acompanhando a sua queda, embora esta complicada missão requereria cerca de 60.000 militares estrangeiros posicionados na Síria.

Nada nas constituições dos países ocidentais requer que se envolvam em cada conflito externo, deixar este de fora revelar-se-á uma atitude inteligente. Além do benefício moral de não ser responsabilizado pelos horrores que estão por vir, ficar longe permitirá que o Ocidente acabe por ajudar seus únicos amigos na Síria, os liberais.

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