quarta-feira, 4 de julho de 2012

Cristianismo e cultura clássica: um estudo das ideias e da ação, de Augusto a Agostinho


Esta obra do canadense Charles Norris Cochrane (1889–1945) aborda uma mudança fundamental no pensamento e na ação humana ocorrida entre o mundo de Augusto e Virgílio e o mundo de Teodósio e Santo Agostinho. O autor, conciliando clareza e profundidade, examina o contraste – e, às vezes, o conflito – entre a cultura da era clássica, com seu empenho em entender o mundo em termos puramente racionais, e a compreensão radicalmente nova da realidade desenvolvida e difundida pela cristandade. Ele estuda em detalhe as diferenças entre as duas visões de mundo, destacando especialmente as relações entre Igreja e Estado e o impacto que tiveram o reinado de Constantino e a difusão do cristianismo na história do Ocidente. O ponto de partida de suas análises é o império de César Augusto, com sua pretensão à “eternidade” como uma expressão final e definitiva da ordem clássica. Como disse o crítico John Taylor, “da análise das relações entre Igreja e Estado, passando pelo estudo do impacto produzido pelo império de Constantino e a expansão do cristianismo, até a dissecação técnica de formas de ver o mundo diametralmente opostas, Cristianismo e cultura clássica sobreviveu ao teste do tempo, e permanece como um pilar de análise religiosa, filosófica e cultural”. Tradução de Eduardo Francisco Alves.

“Desde que saiu a primeira edição, em 1940, li este livro diversas vezes, e cada releitura só fez aumentar a minha convicção da sua importância para a compreensão não somente da época que ele aborda como, também, da nossa própria época”, escreveu o poeta W. H. Auden sobre o livro Cristianismo e cultura clássica – Um estudo das ideias e da ação, de Augusto a Agostinho, no jornal The New Republic. Filosofia, história, teologia, política, pedagogia, economia, jurisprudência e administração confluem neste ensaio sobre a cristianização do Império Romano e a decadência do mundo clássico pagão, no qual se estabelece um contraste entre vida cotidiana e seus fundamentos teóricos e simbólicos, entre civilização e cultura, entre vida e pensamento.

Um clássico da análise filosófica, religiosa e cultural, esta obra do canadense Charles Norris Cochrane (1889–1945) aborda uma mudança fundamental no pensamento e na ação humana ocorrida entre o mundo de Augusto e Virgílio e o mundo de Teodósio e Santo Agostinho. A cristandade começou a desenvolver uma compreensão radicalmente nova da humanidade, e dessa transição nasceram diversas ideias que fundamentaram o mundo moderno: romanitas se tornou christianitas. Entre as questões aqui propostas pelo autor estão: quem ganhou a guerra entre os filósofos e os teólogos? Atenas conquistou Jerusalém, impondo a uma cristandade hoje perdida as ideias pagãs e platônicas clássicas? Ou Jerusalém conquistou Atenas, desmontando as formas clássicas do pensamento?

Como historiador, Cochrane não se manifesta sobre a validade essencial das teses cristãs em oposição às do classicismo; apenas descreve um processo histórico, dando voz aos principais representantes das duas correntes, de forma tanto quanto possível imparcial. Discípulo de Colingwood, ele estudou nas universidades de Toronto e Oxford; após servir na Europa na Primeira Guerra Mundial, tornou-se professor e, mais tarde, chefe do Departamento de História Grega e Romana da Universidade de Toronto, onde desenvolveu pesquisas sobre o pensamento de Platão e Aristóteles e sua conexão com a filosofia moderna. Seu primeiro grande ensaio no campo das ideias foi Tucídides e a Ciência da História (1929), uma interpretação da obra do historiador grego à luz da literatura médica no século V a.C.: aplicando princípios de Hipócrates ao estudo da sociedade, Tucídides teria sido o primeiro historiador científico, segundo Cochrane.

Neste ambicioso ensaio, Cristianismo e cultura clássica, o autor, conciliando clareza e profundidade, examina o contraste – e, às vezes, o conflito – entre a cultura da era clássica, com seu empenho em entender o mundo em termos puramente racionais, e a compreensão radicalmente nova da realidade desenvolvida e difundida pela cristandade. Ele estuda em detalhe as diferenças entre as duas visões de mundo, destacando especialmente as relações entre Igreja e Estado e o impacto que tiveram o reinado de Constantino e a difusão do cristianismo na história do Ocidente. O ponto de partida de suas análises é o império de César Augusto, com sua pretensão à “eternidade” como uma expressão final e definitiva da ordem clássica.

A queda de Roma representou também a queda de um ideal que se acreditava eterno, e a ruína de todo um sistema de vida fundado no complexo de pensamentos e valores do classicismo, sintetizado no emblema “humanitas, romanitas” – a ideia de um mundo que fosse seguro para a civilização, a convicção de que era possível atingir uma meta de segurança, paz e liberdade permanentes por meio da ação política e da submissão à “virtude e ventura” de um líder político. Os cristãos denunciaram essa noção com vigor: a seu ver, o Estado, longe de ser a ferramenta suprema da emancipação e da perfectibilidade do homem, era, na melhor das hipóteses, um mal necessário. Para eles, o princípio de entendimento superior a qualquer coisa existente no mundo clássico estava em Cristo e nos seus ensinamentos.

Cochrane investiga por dentro o processo do longo declínio do Império Romano, reconstituindo a substituição lenta e gradual de seus valores pelo do conjunto de princípios vitais e cívicos do cristianismo, o que implicou o fim do domínio de Roma sobre a ordem política do mundo. Em sua análise, entrelaça, com erudição e clareza, o desmoronamento do classicismo como agente de coesão social e política e o crescimento e auge doutrinal do cristianismo, numa exposição histórica e cultural que recorre, sobretudo, às obras de dois pensadores: Cícero e Santo Agostinho.

Da propriedade privada como fundamento do império e da romanidade ao cristianismo como religião de Estado, Cristianismo e cultura clássica, que o filósofo George Parkin Grant qualificou de "o mais importante livro jamais escrito por um pensador canadense”, aponta e analisa as causas e mecanismos de declínio de um mundo – o do Império Romano – e do surgimento de outro – o do cristianismo feudal. Cochrane reconstitui a árvore genealógica de toda uma cultura, estabelecendo uma linha que vai de Augusto, Virgílio, Cícero, Tito Lívio, Salústio e Juvenal até Plotino, Teodósio, Atanásio e Santo Agostinho.

Para o cientista político Arthur Kroker, autor de The Possessed Individual: Technology and the French Postmodern, Cochrane “está entre os principais filósofos da civilização, no século XX”. Em todos os seus textos o interesse dominante é investigar grandes ideias germinais, que determinam o curso dos acontecimentos históricos, às quais atribui um papel tão grande quanto o das forças econômicas e o das condições geográficas. Ele sempre buscou um princípio de interpretação do mundo que fosse claro e inteligível, e, numa época em que a pesquisa histórica muitas vezes consiste num mero aglomerado de fatos insignificantes, este livro – publicado pela primeira vez no Brasil, numa parceria do Liberty Fund com a Topbooks – pode ser entendido como obra de filosofia e mesmo de teologia, e não somente como ensaio de história social e política. Sobre ele escreveu o crítico John Taylor na The Midwest Book Review de fevereiro de 2004: "(...) Cristianismo e cultura clássica sobreviveu ao teste do tempo, e permanece como um pilar de análise religiosa, filosófica e cultural".

OPINIÕES SOBRE O AUTOR:
Charles Norris Cochrane foi o primeiro pensador canadense a produzir uma contribuição decisiva para a História da civilização ocidental.
Harold Innis

Cristianismo e cultura clássica, 'magnum opus' de Cochrane, é o mais importante livro jamais escrito por um pensador canadense.
George Parkin Grant

Cochrane está entre os principais filósofos da civilização, no século XX.
Arthur Kroker

Desde que saiu a primeira edição, em 1940, li este livro diversas vezes, e cada releitura só fez aumentar a minha convicção da sua importância para a compreensão não somente da época que ele aborda, como também da nossa própria época.
W. H. Auden

Da análise das relações entre Igreja e Estado, passando pelo estudo do impacto produzido pelo império de Constantino e a expansão do cristianismo, até a dissecação técnica de formas de ver o mundo diametralmente opostas, Cristianismo e cultura clássica sobreviveu ao teste do tempo, e permanece como um pilar de análise religiosa, filosófica e cultural.
John Taylor

Este livro de Cochrane consiste em uma das obras mais estimulantes, informativas, eruditas e surpreendentemente claras sobre a articulação entre o pensamento e a ação política, no período crucial e complexo da história do Ocidente que vai do estabelecimento da Pax Romana de Augusto à constituição da síntese teológica de Agostinho.
Antonio Cicero

TÍTULO: Cristianismo e cultura clássica: um estudo das ideias e da ação, de Augusto a Agostinho
AUTOR: Charles Norris Cochrane
TRADUTOR: Eduardo Francisco Alves
EDITORA: Topbooks
ISBN: 9788574751429
PÁGINAS: 872
ANO DE EDIÇÃO: 2012

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