sexta-feira, 27 de julho de 2012

A imitação de Cristo


Jesus tem muitos que amam seu reino celestial, mas poucos que carregam sua cruz. Muitos desejam consolo, mas poucos as tribulação. Muitos se sentarão à mesa com ele, mas poucos compartilharão seu jejum. Todos querem alegrar-se com ele, mas poucos desejam com ele sofrer. 


Muitos o seguirão até o partir do pão, mas poucos beberão com ele o cálice de sua Paixão. Muitos admiram seus milagres, mas poucos abraçam a vergonha de sua cruz. Muitos amam a Jesus quando tudo está bem com eles, e o louvam quando ele lhes concede um favor; mas se Jesus se esconde e os abandona por algum tempo, eles começam a queixar-se e ficam abatidos. 


Aqueles que amam a Jesus unicamente por ele e não por amor a si bendizem-no na tribulação e na angústia assim como no tempo da consolação. Mesmo que ele nunca lhe enviasse um consolo, eles ainda o louvariam e lhe renderiam graças. 


Ah! Como é poderoso o amor puro de Jesus, quando não vem misturado com interesses egoístas ou amor-próprio! Os que pensam apenas na própria vantagem não mostram que amam a si mesmos mais do que a Cristo? Onse se encontrará alguém disposto a servir a Deus sem procurar uma recompensa? 


 É difícil encontrar algúem tão espiritual que esteja disposto a despojar-se de todas as coisas. Onde se encontrará alguém realmente pobre em espírito e livro de todo apego às criaturas? Tal pessoa é um raro tesouro trazido de mares distantes (v. Pv 31:14) 


Trecho da obra A imitação de Cristo, de Thomas de Kempis* 


 * Nascido em Kempin (daí o sobrenome de Kempis), perto de Cologne, na Alemanha. Thomas Hämmerlien entrou para o mosteiro agostiniano do Monte Santa Inês, onde trabalhou como copista e diretor espiritual. Foi um místico, e sua Imitação de Cristo é tida como o livro que, depois da Bíblia, exerceu maior influência espiritual sobre seus leitores.

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