segunda-feira, 21 de maio de 2012

O "pecado mortal" de duas evangélicas: reclamar do barulho numa das ruas mais barulhentas de SP


Redação Midia@Mais

Advogada e pedagoga reclamaram do barulho em frente a uma casa de swing nessa que é uma das regiões mais movimentadas da capital paulista (especialmente à noite). Sem constatar barulho suficiente, um promotor público resolveu processar as duas, acusando-as de “patrulhamento moral”. O motivo? Ambas são evangélicas.


"Eu nunca fui tão humilhada em toda a minha vida", disse Raquel Barcellos, advogada, à reportagem do jornal Agora. "Não temos por que mentir. O promotor tratou a gente como dois cachorros sarnentos", completou Elizabete Cassavara, 47, pedagoga e síndica do edifício Augustus, vizinho da boate. (http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidiano/43215-reclamacao-sobre-barulho-em-casa-de-swing-se-volta-contra-as-denunciantes.shtml)

Segundo ele (o promotor), as moradoras fizeram "patrulhamento moral" porque elas se incomodam com o tipo de frequência e de prática que há na boate Nefertitti. "É um egoísmo da parte de pessoas que não sabem conviver em sociedade", disse. O promotor pediu que a polícia instaure inquérito para investigá-las por denunciação caluniosa, crime com pena de até oito anos de prisão.
Tanto o promotor quanto a fiscalização da Prefeitura alegam que não há barulho suficiente da parte da casa de swing que justifique qualquer reclamação. Para quem não conhece a região, entretanto, é importante ressaltar que a movimentação e a bagunça (especialmente após as 22 horas, quando intensifica-se o trânsito de carros e pedestres em decorrência das inúmeras casas noturnas existentes na rua) são generalizadas, o que pode confundir tanto os moradores, quanto os fiscais, a respeito da origem do barulho, por exemplo.


O que espanta na história toda, ademais, é a ênfase dada à “religião” das denunciantes, expostas agora à humilhação pública conforme deixa claro a notícia de jornal. O vereador Carlos Apolinário, que também é evangélico, manifestou-se a respeito disso na Folha de S.Paulo: “Raquel abriu representação na OAB contra o promotor. Não entro no mérito da denúncia feita por ele. O que me preocupa neste episódio é o juízo de valor que o senhor promotor faz sobre o comportamento delas, relacionando-o à religião, pois dá a impressão de que se trata de preconceito religioso.”
 (http://carlosapolinario.blogspot.com.br/2012/05/folha-publica-carta-de-minha-autoria.html)


De agora em diante, é mais do que justo esperar que , sempre que alguém fizer qualquer reclamação de barulho na cidade de São Paulo, seja levada em conta não só sua religião, como também seus hábitos e preferências sexuais: quem diz que eventual reclamação contra ruído alto em templos religiosos não terá partido de algum praticante de swing, por exemplo?

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