quarta-feira, 11 de abril de 2012

Novo livro de Pondé ataca "praga" do politicamente correto

Em obra recém-lançada, filósofo e colunista da Folha diz que defesa do mais fraco costuma embutir mentiras


Autor admite que ao valorizar uma minoria de "melhores" pode estimular intolerância, mas por erro de leitura


Colaboração para a Folha de S. Paulo


O pensamento politicamente correto é uma "praga", uma atitude política que combina "covardia, informação falsa e preocupação com a imagem".


Quem afirma é o filósofo e colunista da Folha Luiz Felipe Pondé em seu novo livro, o "Guia Politicamente Incorreto da Filosofia" (Leya).


O politicamente correto conta uma mentira, afirma Pondé, ao defender que "o mais fraco politicamente é por definição melhor moralmente". Para seus defensores, tudo seria justificado "dizendo que você é pobre, gay, negro, índio, ou seja, algumas das vítimas sociais do mundo contemporâneo".


Trata-se, segundo o autor, de uma visão de mundo quase sempre "mau caráter", que iguala a maioria ao bem, a massa numérica à bondade.


Pondé simplesmente inverte o argumento. Para ele, "o povo é sempre opressor" e "a maioria tende à covardia e à fraqueza". O colunista defende a existência de diferenças naturais de virtudes entre os homens, que o discurso igualitário, "a serviço do mau-caratismo, da preguiça e da nulidade", buscaria mascarar.


Alguns poucos seriam mais fortes e mais capazes. Esses, "os melhores", lideram. "Os médios e medíocres seguem", afirma o filósofo.


O argumento é defendido de maneira beligerante. "O mundo virou um churrasco na laje", "mulher gosta de dinheiro" e "a Bahia é uma terra devastada pela alegria" são subtítulo de capítulos.


RISCO


No próprio livro, Pondé argumenta que sua defesa de uma minoria de "melhores" e sua crítica ao discurso de "consciência social" não implicam preconceito ou discriminação contra os grupos sociais citados: negros, judeus, gays, índios, mulheres.


Mas é cabível perguntar se ele não teme ser mal compreendido. Se racistas, homofóbicos e antissemitas não poderão encontrar em suas palavras uma justificação; e os intolerantes, um estímulo.


"Existe sempre esse risco", admite ele. "Quando você é lido publicamente, é sempre de alguma forma mal lido; e às vezes os riscos vêm de quem vira seu fã, não de quem está criticando você."


TIPO MÉDIO


Não são poucos os críticos e os fãs do colunista. Mas, para Pondé, seus leitores são idiotas.de TV é um medíocre que se acha o máximo  "O tipo médio do leitor de jornal ou do telespectador de TV é um medíocre que se acha o máximo", escreve o doutor em filosofia pela USP e professor da PUC-SP.


"O leitor e o telespectador são idiotas, e no fundo nós, que 'somos a mídia', pouco os levamos em conta porque quase nada do que eles dizem vale a pena."


Pondé dá uma pista da razão de seu sucesso ao comentar o capítulo sobre os seus leitores-idiotas.


"Há algo de retórico nesse comentário. Retórico no sentido de produzir uma ampliação do argumento, na medida em que o debate é público. Mas há também isto: quando você fala uma coisa dessas para o leitor, muitos se colocam do lado de quem está escrevendo. Meu cunhado é um idiota; eu não."


GUIA POLITICAMENTE INCORRETO DA FILOSOFIA
AUTOR Luiz Felipe Pondé
EDITORA Leya
QUANTO R$ 39,90 (224 págs.)

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