quarta-feira, 25 de abril de 2012

Israel é o Vale do Silício do Oriente Médio

Escrito por Karina Lignelli | Diário do Comércio


O que Israel, o "Vale do Silício" do Oriente Médio, que investe 4,5% do seu Produto Interno Bruto (PIB) em pesquisa e desenvolvimento, pode ensinar para o Brasil? A experiência do país como uma grande nação incubadora de startups (empresas iniciantes de porte pequeno, com atividades ligadas à pesquisa e inovação) foi o tema da palestra do jornalista Saul Singer, coautor, com Dan Senor, do livro Nação Empreendedora: o milagre econômico de Israel e o que ele nos ensinou (Ed. Évora), abordado durante seminário realizado ontem pelo Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper), em parceria com a Câmara Brasil-Israel de Comércio e Indústria.

Em apenas 63 anos de fundação, sendo do tamanho de Sergipe, com cerca de 7,6 milhões de habitantes, e em constante estado de guerra, Israel conseguiu desenvolver, nos últimos 20 anos, mais de 3,4 mil startups em inovação, tecnologia da informação e biotecnologia, e mais empresas de capital de risco (venture capital) do que países "estáveis", como China, Índia, Japão e Coreia do Sul, entre outros. 

"Se hoje a Europa gera cerca de 700 startups por ano, Israel gera 500", destacou o jornalista, que também exemplificou várias ações de inovação de seu país-natal. "Os voice-mails (correios de voz), o mecanismo de busca do Google, os flash drives (dispositivos de memória USB), e outras tecnologias para celular e internet que as pessoas usam em seu dia a dia vieram de lá", contou. 

Por ser um país pequeno e estar fora do mercado regional, Israel precisou também "funcionar como iniciante para existir, tendo que lidar com muitas adversidades e assumir riscos", detalhou Singer.

Esse modelo peculiar contou com um empurrão das Forças Armadas já que, devido aos conflitos constantes, o país sempre investiu fortemente em segurança. A entrada de 1 milhão de imigrantes da antiga  União Soviética, na década de 1990, em sua maioria engenheiros e cientistas, também ajudou a impulsionar a tecnologia de ponta das empresas. 

Fora essas peculiaridades, a  criação de conglomerados de tecnologia, apoiados por universidades locais e empresas como Intel e HP, além do programa lançado pelo governo israelense nos anos 1990 – o "Yozma", que iniciou a indústria de capital de risco no país, ao liberar US$ 100 milhões para investir – puxaram este avanço.

"O" mercado – Apesar do bom exemplo israelense, no caso do Brasil, a alta carga tributária, diferente de Israel, ainda é um dos empecilhos que dificultam a vida das iniciantes. Mas, para países que apostam nas pequenas empresas para impulsionar a economia, segundo Singer, não basta pensar em estimular capital de risco para gerar cada vez mais startups: é preciso estar preparado para ser empreendedor, além de se questionar "como ser mais inovador'' e "como se tornar uma empresa global".

"Israel ajudou startups americanas a fazerem isso, e a lição para o Brasil e para outros é fazerem o mesmo. Os investimentos devem vir de outros países, para que as startups se beneficiem da sinergia entre as pequenas empresas inovadoras e as grandes empresas, que produzem em escala", disse.

Hoje, segundo Singer, os países emergentes é que são "o" mercado, e não mais os países ricos. "O Brasil é uma dessas grandes nações, que pode implementar grandes soluções em pequenos lugares e que deve enxergar seus problemas e oportunidades. Só precisa usar a força que tem", concluiu.

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