quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

O que é mais importante: um livro ou uma vida?

Marcos Guterman | O Estado de S. Paulo

Então é assim.

Um soldado americano na base de Bagram (Afeganistão) jogou fora alguns exemplares do Corão, e os livros quase foram incinerados junto com outros papeis – funcionários afegãos os salvaram das chamas.

O episódio deflagrou mais uma onda de violência contra os ocidentais no Afeganistão – nesta quinta-feira, um soldado afegão matou dois militares americanos como parte da reação.

Nem os veementes pedidos de desculpas do governo americano foram suficientes para acalmar a fúria religiosa. Para os fanáticos, é lícito matar pessoas que supostamente violaram a sacralidade de um livro.

Pode-se concordar com o presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, para quem o soldado americano mostrou ignorância a respeito da importância do Corão para o islã.

No entanto, não é possível compreender que uns pedaços de papel em forma de livro possam ser considerados mais importantes que a vida de uma pessoa.

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