sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Holocausto e fundamentalismo no século 21

Ideologias totalitárias seguem existindo; fundamentalistas aproveitam o vácuo de poder após a Primavera Árabe, e o Irã permanece uma ameaça global


Claudio Luiz Lottenberg | Folha de S. Paulo


As palavras genocídio e fundamentalismo compõem uma trágica e deletéria combinação.


Ao longo da história da humanidade, ideias de superioridade racial e de desprezo à diversidade funcionaram como combustível de tragédias inomináveis.


O Holocausto, a morte de 6 milhões de judeus pelo nazismo na Segunda Guerra Mundial, entre os quais mais de um milhão de crianças, escancarou o paroxismo da bestialidade humana.


Neste 27 de janeiro, marcamos o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto, instituído pela ONU em 2005.


Refletimos também, neste momento, sobre outros processos sistemáticos de extermínio, responsáveis por impor a barbárie a diversos povos.


Alguns exemplos: os armênios, vitimados por otomanos no começo do século passado; cambojanos, eliminados pelo regime sanguinário do Khmer Vermelho nos anos 1970; bósnios muçulmanos, exterminados nas guerras dos Balcãs; tutsis e hutus massacrados em Ruanda em 1994; e, em pleno século 21, sudaneses assassinados cruelmente na região de Darfur.


A lista de genocídios perpetrados em nome de ideologias odiosas, infelizmente, ainda é mais extensa. E é possível constatar que essas tragédias continuam a macular a história da humanidade, apesar das lições impostas pelo passado.


A pergunta inevitável, portanto, refere-se a como evitar a repetição desses episódios vis.


Acreditamos firmemente na necessidade de avançar em duas frentes: democracia e educação. Quanto mais mecanismos democráticos existirem, mais protegidos estarão os direitos civis e mais isoladas ficarão as forças políticas que pisoteiam a liberdade.


Quanto mais educação existir, mais será disseminado o respeito à diversidade, assim como mais fortes serão as raízes do repúdio ao fundamentalismo.


No entanto, ideologias totalitárias insistem em sobreviver.


A Primavera Árabe começou como uma lufada alvissareira de ventos democratizantes. Hoje, grupos fundamentalistas se aproveitam do vácuo criado com o fim do velho regime e, antes que a democracia possa se instalar, um processo que demanda tempo, ameaçam impor regimes descolados da ideia de construção de um Oriente Médio em paz e harmonia.


O governo fundamentalista do Irã, responsável por perseguições brutais e sistemáticas a minorias religiosas, étnicas e sexuais, permanece como uma ameaça global. Seu líder, Mahmoud Ahmadinejad, além de intensificar os chamados de seus antecessores pela destruição do Estado de Israel, avança em suas ambições nucleares. E, em uma aberração inaceitável para o mundo civilizado, nega o Holocausto.


De nosso país, acompanhamos com preocupação o cenário do Oriente Médio e de Israel, terra ancestral que é, para nós, referência cultural e religiosa.


Em respeito à memória de milhões de judeus exterminados no Holocausto e em respeito à memória de vítimas de genocídios em toda a história da humanidade, rechaçamos as ideologias totalitárias, como a do governo iraniano e a dos seus aliados Hamas e Hizbollah.


E homenageamos a construção de democracias, como no Brasil e em Israel, que são exemplos vivos de nações baseadas no respeito às liberdades individuais e religiosas. É assim que conseguiremos evitar a repetição de genocídios.


Claudio Luiz Lottenberg, 51, oftalmologista, é presidente da Confederação Israelita do Brasil

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