domingo, 6 de novembro de 2011

Miami contra Las Vegas: é o jogo

Uma disputa entre empresários do jogo e grupos religiosos que criticam a “tentação da roleta” divide os Estados Unidos.


(Foto:EFE) O maior casino do mundo


Jornal da Tarde


Várias associações cristãs se juntaram ao grande grupo que se opõem a que Miami abrigue o maior cassino do mundo e impulsione a construção de outros grandes centros ao estilo de Las Vegas.


A Conferência Católica da Flórida, a Convenção Batista da Flórida e a Ação Familiar da Flórida argumentam que o jogo atrai especialmente os pobres. Mais: advertiram que a roleta traz consigo a “tentação” da “prostituição, dependências, falências, suicídios e outros problemas sociais.”


Estes grupos são os últimos a se pronunciar sobre uma polêmica que há semanas protagoniza debates públicos em uma cidade que se encontra em uma encruzilhada: continuar combatendo a crise econômica e o desemprego à base de cortes de despesas ou investir para se transformar em uma nova Las Vegas.


Uma proposta legislativa, que deve ser votada no início de 2012, pretende abrir caminho para a construção, em Miami e seus arredores, de três gigantescos cassinos. Concretamente, a normativa autorizaria apenas cassinos com investimentos financeiros de mais de US$ 2 bilhões.


O projeto mais espetacular é o do grupo malaio Genting, que acaba de comprar terrenos em pleno centro da cidade com a intenção de criar ali o maior cassino do mundo, com 8.500 caça-níqueis e mais espaço para mesas de jogo que o que oferecem os três maiores cassinos de Las Vegas juntos.
O complexo, segundo empresários, criaria 100 mil empregos, representaria investimento de US$ 3,8 bilhões, forneceria US$ 600 milhões anuais em impostos e ofereceria 5.200 quartos de hotel, mil apartamentos e 50 restaurantes.


“O resort de Genting será ‘anti-Las Vegas’. Será um destino de entretenimento multifuncional, que complementará a infraestrutura turística de Miami e impulsionará a economia local”, explicou seu porta-voz, Tadd Schwartz, em resposta às críticas.


Também demonstraram interesse nos projetos grandes empresas de cassinos de Las Vegas, como Sands, Wynn e Caesars, que estão pendentes de um relaxamento na normativa do jogo na Flórida, o que ajudaria a combater um déficit estadual de mais de US$ 1,5 bilhão.


Na Flórida são legais os jogos de loterias, as apostas em corridas de cavalos e cachorros em muitos condados e os sete cassinos operados em monopólio pela tribo de índios semínola.
Apenas com isso, o Estado se tornou o quarto do país onde mais se joga, apesar de os jogadores serem em sua maioria moradores da própria região.


No entanto, são muitas as partes que se opõem a flexibilizar a legislação, tanto por questões morais como econômicas, já que também há coletivos aos quais não interessa que os benefícios da indústria do lazer e entretenimento na Flórida se diluam.


Assim, mostraram sua oposição desde proprietários de parques temáticos até os indígenas, passando por donos de casas de apostas e de negócios de hotelaria na próxima Miami Beach.
“Mais jogo na Flórida terminará danificando nossa economia, nossas comunidades e nossos contribuintes”, argumentou a associação “No Casinos” (Cassinos Não), que em 2004 já lutou para evitar uma mudança na Constituição americana para permitir as máquinas caça-níqueis na Flórida.

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