segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Curitiba tem o primeiro museu do Holocausto do Brasil



Museu estará aberto a visitas a partir de fevereiro


O primeiro museu brasileiro dedicado a relembrar a perseguição e extermínio de judeus pelo nazismo foi inaugurado simbolicamente neste domingo (20), em Curitiba. A solenidade coincide com a reunião da Confederação Israelita do Brasil na capital paranaense, no fim de semana –do encontro participaram as principais lideranças da comunidade judaica no país. As visitas ao Museu do Holocausto deverão ser pré-agendadas e só podem ser feitas a partir de fevereiro de 2012.


Fazem parte da exposição um cartão de racionamento alimentar usado no campo de Buchenwald, Alemanha, réplicas de bonecas das crianças da época e cartazes de propaganda nazista, utilizados como método de controle de massa e propagação de uma ideologia antissemita oficial por parte do governo.


Instituições similares de várias partes do mundo também doaram peças para o museu paranaense, entre eles pedaços de uma torá (livro sagrado dos judeus) parcialmente queimada na Noite dos Cristais –considerada a primeira agressão em massa contra judeus na Alemanha e na Áustria, em 9 de novembro de 1938, quando quase 300 sinagogas, além de residências e lojas, foram queimadas.


“A maior parte do nosso acervo será exibido apenas em mostras temporárias”, informou Carlos Reiss, coordenador do espaço. A parte externa do museu, erguido ao lado do Centro Israelita do Paraná custou R$ 1 milhão e é decorada com pedras trazidas de Jerusalém e vitrais da Argentina.


Há dois anos, Miguel Krigsner, idealizador do museu, contratou uma empresa especializada em projetos museográficos para trabalhar na montagem da exposição, particularmente rica em fotografias e vídeos. “Os objetos são poucos, até porque quase tudo se perdeu. Mas, além da torá da Noite dos Cristais, doada pelo museu do holocausto de Jerusalém, localizei um diário em que meu avô, que fugiu da Alemanha para a Itália antes da guerra, descreve sua trajetória e o cotidiano daqueles dias”, disse Krigsner.


A família do pai do empresário, de origem polonesa, conseguiu escapar do nazismo. Mais tarde, os pais dele se conheceram na Bolívia, onde se casaram. Em La Paz, Miguel Krigsner nasceu em 1950. O empresário vive no Brasil desde 1961. Em 1977, ele abriu uma pequena farmácia de manipulação, no centro de Curitiba, que deu origem a uma das maiores empresas de cosméticos do mundo, O Boticário.


“Não temos a intenção de julgar ou criticar, mas sim de levantar a questão e trazer consciência maior sobre o tema para, principalmente, evitar que volte a acontecer. A grande missão do museu é trazer a questão da tolerância. Tratamos da discriminação, da intolerância, alertando para o que pode acontecer não só contra judeus. Veja-se a diferença de salários, no Brasil, entre brancos, negros, pardos e indígenas. Somos um país que sempre primou pelo acolhimento e a igualdade. Por isso, não podemos correr o risco que de importar conflitos que existem lá fora”, afirmou Krigsner.
Preocupação pedagógica


“A ideia é fazer do museu um espaço dinâmico e vivo”, afirmou Reiss. “No espaço de visitação, buscamos atingir o visitante com desde objetos da época, réplicas e fotografias até documentos, vídeos e aplicativos multimídia”, diz. O percurso é propositalmente tortuoso, claustrofóbico, de forma a lembrar os guetos e campos de concentração do período da guerra.


Uma das intenções do coordenador é fazer do museu um espaço pedagógico. “Vamos funcionar como um espaço educativo, aberto a escolas, e oferecer um centro de ensino e estudos do holocausto”, disse Reiss.


Por conta disso, os horários de visitação serão restritos, e será obrigatório agendar visitas –que só começam em fevereiro, prazo necessário para a finalização do setor administrativo e do centro de documentação do museu.


“Ao público em geral, vamos abrir às terças-feiras à tarde, quartas-feiras, durante todo o dia, e às sextas-feiras e aos domingos, pela manhã”, diz Reiss. As visitas poderão ser feitas individualmente ou em grupos de até 30 pessoas, desde que agendadas pelo site www.museudoholocausto.org.br.


“Com esta solenidade simbólica, estamos apresentando o museu à sociedade e anunciando que ele está em fase de conclusão. Essa divulgação é muito importante, pois coloca o assunto em pauta, e certamente fará com que possamos receber novas doações e cessões de materiais para ampliação do acervo”, finalizou Reiss.


Fonte: Jornale


Museu do Holocausto Curitiba - Visita Virtual from Museu do Holocausto on Vimeo.

Um comentário:

Anônimo disse...

Eis um vídeo que compara o holocausto com o aborto.
Cenas fortes

http://www.youtube.com/watch?v=7cBA9Be9fDs