terça-feira, 18 de outubro de 2011

Soldado israelense volta para casa após encontrar família

O soldado israelense Gilad Shalit voltou para casa nesta terça-feira após encontrar sua família pela primeira vez, depois de mais de cinco anos em poder do Hamas, segundo o porta-voz do Exército israelense, brigadeiro-general Poli Mordechai.


Das Agências de Notícias / Folha de S. Paulo


"Espero que este acordo ajude para a conclusão de um acordo de paz entre israelenses e palestinos", disse Shalit à TV egípcia. "Tenho esperança que a cooperação entre os dois lados seja consolidada."


Na base aérea de Tel Nof, no centro de Israel, o soldado se encontrou com seus pais, Noam e Aviva, seu irmão Yoel, sua irmã Magas, e seu avô Zvi.


Ele chegou em um helicóptero da Força Aérea israelense que saiu de um acampamento militar próximo à faixa de Gaza, onde Shalit tomou banho e trocou a roupa dada pelos sequestradores.


Segundo imagens divulgadas pelo Exército de Israel, na base ele falou ao telefone com seus parentes e recebeu um óculos, os primeiros que recebe desde que foi preso em junho de 2006.


O processo de troca começou no início da manhã desta terça-feira, quando Shalit foi entregue na fronteira palestina de Rafah a autoridades egípcias, que por sua vez o transferiram para representantes do Comitê Internacional da Cruz Vermelha e funcionários da inteligência israelense, na base militar de Kerem Shalom.


Imagens de vídeo divulgadas pelo Exército israelense mostraram Shalit com uniforme militar e as insígnias do novo posto que recebeu após seu cativeiro, o de primeiro-sargento.


Shalit foi examinado por médicos do Exército israelense, que afirmaram que seu estado físico é bom, apesar de apresentar sinais de magreza e rosto pálido.


"Foram longos anos, mas sabia que chegaria o dia em que seria libertado", disse Shalit em suas primeiras declarações à televisão egípcia, após ser entregue às autoridades do país vizinho por seus sequestradores.


Ariel Hermoni/Efe
Ehud Barak, Binyamin Netanyahu e o soldado Gilad Shalit com seu pai Noam, na base aérea de Tel Nof, em Israel


O soldado disse ainda que se sentiria "muito feliz se fossem libertados todos os presos palestinos, para que possam voltar a suas famílias".


Shalit explicou que soube da notícia de sua libertação há uma semana, e que nesse momento sentiu que essa seria sua "última oportunidade" para voltar pra casa.


Ele ressaltou que sente muita falta da família e de seus amigos, e que tem vontade de se reencontrar com "as pessoas normais para contar o que aconteceu durante estes longos anos".


Shalit foi sequestrado quando tinha 19 anos por três organizações palestinas no dia 25 de junho de 2006, em uma operação na qual morreram dois soldados israelenses.


O primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, afirmou hoje ter cumprido a missão com a qual se comprometeu ao assumir o cargo, há mais de dois anos.


"Uma das principais missões que encontrei em minha mesa e fixei na agenda do meu coração era trazer de volta nosso soldado capturado são e salvo para casa. Hoje esse objetivo foi cumprido", declarou Netanyahu em entrevista na base militar de Tel Nof.


PRISIONEIROS PALESTINOS


Israel libertou nesta terça-feira 477 presos palestinos, a primeira leva do total de 1.027 que serão libertados em troca de Gilad Shalit.


Pelo menos oito ônibus com 293 presos palestinos a bordo entraram na faixa de Gaza através da passagem fronteiriça de Rafah.


Os presos foram recebidos pelo primeiro-ministro do Hamas em Gaza, Ismail Haniyeh, além de outros líderes do movimento islamita, e mais de cem familiares e amigos.


Entre cantos, gritos de alegria e muitas lágrimas, os parentes abraçaram os presos, muitos dos quais passaram mais de 20 anos detidos. Era possível ver várias bandeiras verdes do Hamas, mas também de outras facções palestinas.


Os ônibus tiveram que esperar cerca de uma hora no lado egípcio de Rafah, depois que duas presas palestinas se recusaram a descer em Gaza. Depois de algum tempo, uma delas aceitou entrar enquanto a outra permaneceu no Egito.


Após ficarem durante cerca de uma hora no lado palestino de Rafah, os 293 presos foram transportados até a Cidade de Gaza, para uma grande recepção na praça de Al Katiba.


Além disso, outros 95 prisioneiros palestinos chegaram à cidade cisjordaniana de Ramallah, onde foram recebidos em Muqata, sede da Autoridade Nacional Palestina (ANP).


O presidente da ANP, Mahmoud Abbas, disse aos ex-prisioneiros que seu "sacrifício e duro trabalho não foram em vão" e destacou que Israel se comprometeu a libertar mais palestinos além dos já estipulados no acordo com o Hamas.


A Turquia também negocia com o Hamas para receber cerca de 40 dos presos palestinos que serão libertados a partir de hoje.

Nenhum comentário: