sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Imperialismo Americano? Por favor...

Jonah Goldberg
National Review Online


Esse é o fim. Os Estados Unidos estão saindo do Iraque.


Estou firme no campo que vê isso como um equívoco estratégico. A democracia iraquiana é frágil, e o desejo do Irã em subvertê-la é forte. Além disso, anunciar nossa retirada é uma forma esquisita de responder a um frustrado plano iraniano para cometer um ato de guerra na capital dos EUA. Obviamente, espero estar errado e que o presidente Obama não esteja desperdiçando nossos enormes sacrifícios no Iraque em virtude de preocupações políticas domésticas e inépcia diplomática.


Entretanto, há uma vantagem. A decisão de Obama em sair o Iraque deveria desferir um golpe mortal contra os críticos internos e externos da América.


Afinal de contas, que tipo de império faz uma coisa dessas?


Por muito tempo os críticos da política externa dos EUA têm desfiado a ladainha sobre o "império" americano. O termo tem sido usado como um epíteto tanto pelos isolacionistas de esquerda quanto de direita, como um termo mais friamente descritivo por intelectuais da moda como Niall ferguson e Lawrence Kaplan, e com entusiasmo jubilante de alguns neoconservadores em política externa como Max Boot.


A acusação em tempos recentes têm como foco o Oriente Médio, especificamente o Iraque.


O problema é que a América contemporânea não é um império, pelo menos em nenhum sentido convencional ou tradicional.


Um império típico invade países para explorar seus recursos, impor controle político e extorquir tributos. Isso é verdade para todo império, desde os antigos romanos até os britânicos e soviéticos.


Esse nunca foi o caso do Iraque. Por toda a baboseira de sangue-por-petróleo, se a América quisesse o petróleo do Iraque ela poderia ter poupado muito sangue e simplesmente comprado. Saddam Hussein ficaria feliz em fechar um acordo se nós apenas acabássemos com nossas sanções. De fato, a indústria de petróleo dos EUA nunca fez lobby para uma invasão, mas para o fim das sanções. Nós também nunca arrancamos impostos do Iraque. Na verdade, nós defendemos sua diminuição.


E nós certamente não estamos no controle político do Iraque. Se estivéssemos, não teríamos concordado com o desejo do governo iraquiano em nos ver partir. Por acaso César se importava com o desejo popular da Gália?


Alguns militantes indubitavelmente dirão que a diferença essencial é que Barack H. Obama, e não George W. Bush, é presidente.


Porém, essa objeção tola esconde o fato de que Obama integrou-se em uma cronologia desenhada pela administração Bush. Mais do que isso, Obama se aproximou de Bush mais do que qualquer um poderia imaginar.


Considere a Líbia. Obama perseguiu exatamente o mesmo objetivo político -- forçar a mudança de regime -- que os críticos da Guerra do Iraque diuturnamente denunciaram como sendo o coração do imperialismo americano. Há diferenças significativas entre as duas empreitadas, é verdade, mas há pouquíssima diferença no nível conceitual, e nenhuma das duas teve algo que ver com imperialismo.


Mais importante, para que a acusação de imperialismo signifique alguma coisa ela precisa descrever algo mais amplo do que uma simples diferenciação ideológica de políticas. Se nosso imperialismo pode ser ligado e desligado como uma lanterna com a mera mudança de partidos, então quão imperialistas podemos ter sido desde o começo?


A palavra "regime" tem sido definida nos últimos anos como nada mais do que administrações presidenciais. "O que precisamos agora não é apenas uma mudança de regime com Saddam Hussein e o Iraque, mas precisamos de uma mudança de regime nos Estados Unidos", disse o senador John Kerry em 2003.


Regime descreve, na verdade, todo um sistema de governo. E se o regime americano é imperialista apenas enquanto os republicanos estão no poder, então não é uma afirmação séria, mas apenas uma calúnia conveniente e ideológica.


Em muitos lugares do Oriente Médio, a Guerra ao Terror é invocada como um front de inspiração religiosa para um imperialismo crusado. Essa besteira não enxerga o fato de que a América foi à guerra para salvar vidas islâmicas mais do que qualquer país islâmico já fez. Sob democratas e republicanos nós lutamos para salvar muçulmanos na Somália, no Kosovo, na Bósnia, no Kuwait, no Afeganistão, no Iraque e, agora, na Líbia. Não procuramos a conversão de ninguém e -- com exceção do Kuwait -- nunca apresentamos uma conta a pagar. Quando nos pediram para sair, nós saímos.


Dizer que fizemos essas coisas simplesmente por pilhagem e poder é um insulto a todos os americanos, particularmente àqueles que deram suas vidas no processo.




Jonah Goldberg é editor-assistente do National Review Online e autor do livro "Fascismo de Esquerda: a história secreta do esquerdismo americano", publicado pela Ed. Record (leia mais aqui).

via Juventude Conservadora da UNB

Um comentário:

Juventude Conservadora da UnB disse...

Rodney, muito obrigado pela divulgação de nossa tradução em seu blog! Abraços!