quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Fé e dinheiro



Quem tem fé não faz barulho, pensa, reza e consegue… Quem não crê precisa de ritos, de exorcistas, de padres, de pastores, de horoscopistas, de jogadores de búzios, de tudo. E esses, os que não creem, são maioria absoluta, são, enfim, os que lotam os templos…

- “Ah, Prates, tu dizes bobagens, tu não sabes o que dizes…” Até pode ser, mas costumo conversar apenas sobre o que me chega aos olhos, pelas retinas da curiosidade e do garimpo diário como jornalista e psicólogo.

Abro o jornal, por exemplo, e leio que de acordo com pesquisa feita por profissionais a serviço do IBGE, o crescimento da renda dos brasileiros mais pobres tem produzido um visível esvaziamento das igrejas. Ué, quer dizer que o sujeito passa a ganhar mais e não vai mais à igreja, é isso? É, é isso.

É o que digo, faz tempo que repito esse mantra: o povo tem fé da boca para fora, só da boca para fora, ninguém morre por seu Deus… E quem tem fé, quem de fato crê, não vai à igreja, não banca o abobado da farsa, quem de fato crê, crê em qualquer lugar. Mais que isso, quem crê tem certeza, não comporta a dúvida no coração.

Ir à igreja para agradecer, quem o faz? Se você fizer uma pesquisa dentro das igrejas e imaginar sinceridade nas respostas, só vai ouvir queixumes, ah, estou aqui por isso, estou aqui por aquilo. Ninguém lhe vai dizer que está ali, na igreja, de joelhos e rezando para agradecer a felicidade que está vivendo.

Aos falsos da fé Cristo os chamou de sepulcros caiados, que coisa bem feita, que epíteto adequado, sepulcros caiados, bonitos por fora, podres por dentro.

Machado de Assis tinha razão, a verdade é, de fato, um remédio muito amargo…

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