quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Conheça o ” Vatican Wars”, jogo on line cujo objetivo é tornar o vencedor “Papa”


Vatican Insider / Blog Carmadélio

Um clique para se inscrever, outro para escolher em qual equipe entrar. No terceiro, o desafio já começou, e que desafio: tornar-se papa, mesmo que apenas no mundo virtual.

O jogo se chama Vatican Wars. Está online há alguns meses e já entrou na lista dos mais clicados no Facebook: gratuito, funciona somente online, sem precisar de CD. É nas redes sociais que se pode competir com usuários de todo o mundo: o objetivo, naturalmente, é subir ao sólio pontifício. Mas o cibercaminho que leva a São Pedro é pavimentado com imprevistos e obstáculos.

Os jogadores são divididos em duas equipes: Templários e Cruzados, com base nas convicções éticas e morais e, sobretudo, no objetivo: revolucionar a Igreja ou impor uma linha conservadora. Cada participante deve se mover entre emboscadas sobre temas escorregadios – do aborto aos direito no campo da bioética – e conhecer o calendário litúrgico, os santos do dia, alguma noção de teologia. Vence quem tiver as ideias mais claras, quem tiver uma visão e conseguir impô-la aos milhares de inscritos.

“Antes de lançar o jogo – explica Cheyenne Ehrlich, fundador da SGR, empresa que produziu o jogo –, fizemos muitas pesquisas entre os católicos, e foi surpreendente descobrir que 80% deles apoiaram o nosso projeto” .

As reações, por enquanto, são positivas e estão funcionando, segundo as pesquisas – informais, por assim dizer –, para entender as posições do mundo católico, embora noFacebook também haja quem critique a ambientação gótica: um mundo muito distante do atual, em que o papa navega no Twitter e a missa de domingo está ao alcance doiPad. “Será interessante verificar – continua Ehrlich – que tipo de papa as pessoas preferem”.

Certamente, não aquele representado por outro jogo que inflamou o salão da tecnologia de Colônia, Shadows on Vatican. Desenvolvido pelo Art Studio Torre del Greco, será lançado apenas em setembro, mas a pré-estreia já levantou muita poeira. O protagonista é James Murphy, um missionário norte-americano encarregado de investigar uma série de eventos que abalam a “pax vaticana”, à sombra de um pontífice quase invisível.

Mais inspirado pelos romances de Dan Brown do que pelos livros de história, os criadores de Shadows on Vatican misturam Logia P2, o assassinato de Calvi, a crise do IOR e a quadrilha de Magliana.

“Queríamos colocar debaixo da os mecanismos discutíveis de todo o sistema de poder”, dizGiandomenico Maglione, administrador da empresa que trabalhou no projeto, bem consciente de que, apesar a ambientação cinzenta das aventuras do detetive Murphy, “a Igreja não parou na Idade Média”.

É complicada a relação entre o Vaticano e os videogames. Bento XVI foi o primeiro, no Dia Mundial das Comunicações Sociais de 2007, a apontar o dedo contra os programas que, “em nome do divertimento, exaltam a violência, refletem comportamentos antissociais ou vulgarizam a sexualidade humana” e os produtores que, para perseguir uma “competitividade comercial”, se reduzem a “rebaixar os padrões”.

Porém, do aplicativo para a Jornada Mundial da Juventude às páginas sociais doVaticano, foi justamente de Ratzinger que chegou a reviravolta hi-tech. “Bento XVI – diz, orgulhoso, o Pe. Diego Goso, um dos primeiros sacerdotes italianos a desembarcar no mundo online há 10 anos – inverteu uma tendência: antes, a interatividade era considerada uma perda de tempo. Graças a ele, tudo mudou”.

Os videogames também entraram no seminário, e Priestville, com 30 mil membros, é o primeiro da lista: os jogadores devem criar uma comunidade, gerenciá-la da melhor forma possível, envolver os fiéis. Uma prévia – sentados na frente do computador – da vida que está por vir.

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