quinta-feira, 23 de junho de 2011

O “fim” do Holocausto? por Marcos Guterman


O historiador Alvin Rosenfeld, da Universidade de Indiana, acredita que a Shoah (Holocausto), o extermínio sistemático dos judeus europeus na Segunda Guerra, corre o risco de desaparecer da memória. Em seu lugar, está sendo construída uma imagem distorcida do genocídio, alimentada pelo cinema e pela literatura popular, que mais esconde do que mostra o Holocausto histórico. Com isso, diz Rosenfeld, o próprio termo “Holocausto” acaba servindo para qualificar qualquer coisa, do aborto à morte das baleias, e isso pode ser pior até mesmo do que a negação da Shoah.

Em seu livro “O Fim do Holocausto”, recém-lançado, Rosenfeld sustenta que a diluição do Holocausto no universo pop permitiu que se forjasse a ideia segundo a qual todos foram vítimas de Hitler, inclusive os alemães. O sofrimento dos civis alemães bombardeados pelos Aliados, como em Dresden, seria comparável ao dos judeus nos campos de extermínio. Capitaneada pela esquerda alemã, essa relativização do Holocausto espantou os melhores cronistas do genocídio, como Primo Levi, ele mesmo de esquerda. Ao comentar sobre a dura tarefa de relembrar a Auschwitz real no livro “Os Afogados e os Sobreviventes”, Levi desabafou: “O problema é que as pessoas que lerem e entenderem este livro não precisam dele, e os que precisam dele não o entenderão”.

Havia, claro, questões políticas importantes que ajudaram a criar esse “Holocausto” fácil para consumo das massas, em detrimento do Holocausto histórico e suas complexidades. Para os EUA, a memória do genocídio era vista como um entrave nas relações com a Alemanha; logo, era preciso “superar” o episódio e “seguir adiante”, nas palavras de Reagan.

Rosenfeld é particularmente duro com as representações artísticas do Holocausto. Para ele, com raríssimas exceções, não há livro, romance ou peça de teatro à altura histórica da tragédia; pelo contrário: em sua opinião, essas produções servem unicamente para tentar dar um “sentido” redentor inexistente no genocídio. A partir da conclusão de que o Holocausto é absolutamente único e irredutível, Rosenfeld desqualifica “paralelos” como o genocídio armênio e o massacre de Ruanda, o que obviamente é um exagero; afinal, a história é feita também de comparações.

Rosenfeld diz que é preciso lutar para “reconectar” o Holocausto à história. Mesmo o Diário de Anne Frank tem de ser lido em seu contexto adequado – qual seja, o de que foi editado para se adequar à demanda por uma mensagem de esperança, tão desejada pelos leitores comuns que enfrentam o tema. Como diz Rosenfeld, porém, é muito difícil ter qualquer esperança quando se está diante do verdadeiro Holocausto.

Fonte: O Estado de S. Paulo

Um comentário:

Anônimo disse...

Para as autoridades e a maioria do povo botocudo islâmico o Holocausto nunca existiu.

E nenhum dos países ditos civilizados se pronunciam.

É um palco q há muitos anos está sendo armado para cumprir as profecias de Zacarias de q Israel ainda será odidado e invadido por todas as nações. Mas Deus lhes preparará uma grande surpresa.