sábado, 11 de junho de 2011

Hitler planejava holocausto judeu já em 1919, revela carta

Em setembro de 1919, 15 anos antes de assumir o poder na Alemanha, Adolf Hitler defendeu pela primeira vez por escrito a eliminação dos judeus germânicos por um governo centralizado e nacionalista. A visão do que viria a ser o holocausto consta de uma carta escrita pelo próprio Hitler, que será exibida a partir de julho no Tolerance Museum (Museu da Tolerância), em Los Angeles, nos Estados Unidos.

O documento de quatro páginas – carta Gemlich, como é conhecido – foi escrito à máquina e tem a assinatura de Hitler. Para ele, um governo poderoso poderia reduzir "a ameaça judia" se os direitos deles fossem negados. Entretanto, o objetivo final "deve ser a eliminação sem limites de todos os judeus juntos", diz a mensagem.

Leia a íntegra da carta em PDF.

A carta foi escrita pouco antes de Hitler participar de uma reunião do Partido dos Trabalhadores alemães, o mesmo em que, mais tarde, o líder nazista viria controlar e a transformar no Partido Nacional Socialista, de acordo com informações do jornal britânico Guardian.

Reprodução


Primeira página da carta do ex-ditador alemão.

A carta de Hitler, com 30 anos na ocasião, era uma resposta a Adolf Gemlich, da unidade de propagandas do exército alemão, que havia questionado a posição do país sobre a questão judaica.

"O anti-semitismo racional deve liderar uma batalha legal para revogar leis que dão [aos judeus] posições favoráveis, diferenciando os judeus de outros estrangeiros. O objetivo final deve ser a remoção intransigente de todos os judeus. Para alcançar estes objetivos, apenas um governo de poder nacional será capaz, e nunca um governo de fraqueza nacional", escreveu Hitler, demonstrando sua opinião de que os judeus eram “materialistas puros nos pensamentos e aspirações", cujos efeitos provocavam uma "tuberculose racial na nação".

Em outro trecho, ele afirmou que "o perigo representado pelos judeus é expresso na aversão inegável de grandes camadas do nosso povo''.

A carta foi comprada pelo Tolerance Museum por 150 mil dólares de um comerciante. O documento foi obtido inicialmente pelo soldado norte-americano William F. Ziegler nos últimos meses da Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

"Trata-se de seus primeiros comentários escritos sobre os judeus", afirmou ao New York Times o historiador Saul Friedlander, ganhador do Prêmio Pulitzer em 2009 por um trabalho sobre o holocausto. “[A carta] Demonstra que este assunto era o núcleo da paixão política de Hitler”, completou.

Segundo ele, não há dúvidas acerca da veracidade da carta, já que foi certificada como autêntica em 1988 pelo especialista em caligrafia Charles Hamilton.

Fonte: Daniella Cambaúva / Opera Mundi

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