domingo, 29 de maio de 2011

Um terço da África já faz parte da classe média

Um estudo do Banco Africano de Desenvolvimento aponta que um em cada três africanos faz parte da classe média. Apesar de otimista, a avaliação mostra sinais alarmantes: dos 34% que conseguiram escapar da linha da pobreza, cerca de 20% ainda vivem com até US$ 4 por dia (cerca de R$ 6,50). Em busca de justiça social, essa nova parcela da sociedade é a maior responsável pelas revoluções populares.

Em três décadas, a classe média africana triplicou, passou de 111 milhões para 310 milhões. As conquistas, porém, são frágeis e estão longe de ser consolidadas. Segundo o relatório, os avanços são sustentados pela alta nos preços das matérias-primas, mais acesso à informação (principalmente a celulares e a internet) e pela forte migração da população rural para as cidades.

"A classe média impulsiona o dinamismo da economia, aumenta o consumo e está mais integrada no sistema financeiro. É um grupo com mais instrução, que tem mais consciência das desigualdades, como o desemprego. Esse grupo é crucial, já que exige seus direitos e catalisa mudanças democráticas, como as que ocorreram no Egito e na Tunísia, países com as maiores classes médias do continente", disse Mthuli Ncube, vice-presidente do Banco Africano de Desenvolvimento.

A análise divide a classe média em três grupos: alta (vive com até US$ 20 por dia), baixa (entre US$ 4 e US$ 10) e a oscilante (entre US$ 2 e US$4), com mais risco de voltar à linha da pobreza. O valor é extremamente baixo se comparado com a classe média no Brasil, por exemplo. Ncube justifica que esse grupo oscilante tem mais oportunidades em comparação com os que estão abaixo da linha da pobreza (mais de 60% do continente).

A grande maioria da população africana ainda vive na miséria absoluta. Pelo menos 16% vive com menos de US$ 2 por dia e 44% (mais de 180 milhões de pessoas) sobrevive com menos de US$ 1,25 (cerca de R$ 2 por dia). A Libéria lidera o ranking da pobreza (86%). Em seguida, aparecem Tanzânia (82,4%), Burundi (81,3%) e Ruanda (74,4%). Sem garantias de segurança para realizar a pesquisa, Sudão, Líbia e Somália ficaram de fora do relatório. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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