segunda-feira, 2 de maio de 2011

Osama bin Laden provocou o início dos conflitos do século 21


Se a queda do Muro de Berlim simbolizou o fim da Guerra Fria, conflito que marcou o mundo pós-guerra, a destruição do World Trade Center inaugurou a disputa do novo milênio.

Organizações terroristas existiam antes de Osama bin Laden. Porém, as ações do IRA (Exército Republicano Irlandês) e do ETA (grupo separatista basco), por exemplo, --com ofensivas regionais e proporcionalmente menores-- são amadoras quando comparadas ao 11 de Setembro.

"Seus ataques a alvos ocidentais são apenas uma dimensão da 'guerra santa' que declararam. Nunca existiu, na longa história do terrorismo, nada semelhante a isso", explica Demétrio Magnoli, doutor em geografia humana pela Universidade de São Paulo (USP) e autor de "História da Paz", "História das Guerras" e "Uma Gota de Sangue".

Em "Terror Global", livro da Série 21", Magnoli investiga as raízes do terrorismo e explica como séculos de história produziram o estranhamento que separa o Ocidente do Islã e os conflitos que deram origem à jihad islâmica contemporânea.

Leia um trecho do exemplar.

A rede da jihad global organiza-se sobre o programa de restauração do califado, isto é, do império islâmico. O califado foi abolido logo após a Primeira Guerra Mundial, com o surgimento da Turquia moderna. De lá para cá, não há uma autoridade máxima, política e religiosa, que materialize a unidade e a centralização do mundo muçulmano. Restabelecer essa autoridade é a meta dos terroristas que conspiraram contra as torres gêmeas. Seus ataques a alvos ocidentais são apenas uma dimensão da "guerra santa" que declararam contra os Estados árabes e muçulmanos "infiéis".

Os atentados do 11 de Setembro foram concebidos originalmente por Khalid Sheikh Mohammed, um kuwaitiano que, na juventude, militou na Irmandade Muçulmana egípcia, antes de se unir à rede jihadista de Osama Bin Laden. Os a taques foram executados por 19 árabes, entre os quais 15 sauditas, e deixaram 2.974 mortos, além dos próprios terroristas. Todos os terroristas, homens maduros, de classe média e boa formação educacional, faziam parte da estrutura da Al Qaeda, a organização jihadista de Bin Laden.

Os grandes ataques a alvos ocidentais perpetrados nos anos seguintes distinguem-se dos atentados do 11 de Setembro sob alguns aspectos relevantes. Os terroristas do 11 de março de 2004, que detonaram bombas no metrô de Madri e mataram 191 pessoas, eram imigrantes marroquinos, argelinos e sírios. Eles viveram na Europa, em meio a comunidades muçulmanas estigmatizadas social e culturalmente, e não faziam parte da estrutura da Al Qaeda, embora agissem sob inspiração direta da rede jihadista.

Os terroristas suicidas do 7 de julho de 2005, que explodiram bombas no sistema de transporte público de Londres e mataram 52 pessoas, também foram recrutados na "diáspora européia". Três deles eram filhos de imigrantes paquistaneses nascidos na Grã-Bretanha e o quarto, imigrante jamaicano. Como os terroristas de Madri, estavam ligados à Al Qaeda por laços indiretos. Os atentados cometidos na Europa evidenciaram uma perigosa evolução do terror global, que conserva seu centro organizativo original mas gera uma rede horizontal amorfa - recruta militantes por meio da internet e opera descentralizadamente.

Quando sintonizei o aparelho de tevê do hotel, no fatídico 11 de Setembro, eu já não nutria nenhuma esperança na hipótese benigna do acidente aéreo. As imagens da ruína sucessiva das torres gêmeas não permitiam dúvidas sobre ao menos uma parte das repercussões daqueles atentados. Nos EUA e nas democracias européias, estava aberto o debate sobre o binômio liberdade/segurança - isto é, especificamente, sobre quanto a liberdade deveria recuar em nome do imperativo da segurança. O espectro de leis de exceção, destinadas a sustentar o combate aos terroristas, pairava sobre as nações e os cidadãos.

As coisas foram ainda mais longe do que projetaram minhas suposições pessimistas daqueles momentos. A declaração de uma guerra global ao terror, sem limites temporais ou geográficos, propiciou aos EUA a detenção, por tempo indefinido, de "combatentes inimigos" aos quais se nega acesso ao sistema de justiça criminal. Além disso, desgraçadamente, a administração Bush circundou durante alguns anos os tratados contra a tortura e conseguiu obter autorização parlamentar e judicial para a legalização de provas obtidas por meio da aplicação de técnicas ilegais de interrogatório. Na Grã-Bretanha, reintroduziu-se por algum tempo a detenção preventiva de suspeitos de terrorismo, abolida desde o auge do combate ao IRA, e concedeu-se prerrogativas excepcionais à Scotland Yard. Na França, estendeu-se para três anos o período permitido de detenção de suspeitos de terrorismo antes do julgamento. No mundo todo, o espaço de privacidade das pessoas comuns se reduziu de modos nem sempre evidentes, mas muito reais.

As torres não caíram sozinhas. Na sua ruína, varreram as esperanças emanadas da queda do Muro de Berlim e destruíram uma parte do patrimônio de liberdades das democracias.

Vivemos sob o signo do 11 de Setembro. Vale a pena tentar entender o que aconteceu naquela manhã.

*
"Terror Global"
Autor: Demétrio Magnoli
Editora: Publifolha
Páginas: 80

Fonte: Livraria da Folha

Um comentário:

Anônimo disse...

Não é viver sob o signo do legado do 11/09, mas do que é o atraso, a ignorância, e a brutalidade do regime islâmico. Será que ninguem ainda percebeu que as guerras entre o Ocidente e oriente, cristianismo e isalmismo, foram retomadas?! Se o Ocidente se secularizou o oriente médio, não.
E onde estão os cruzados da Igreja de Cristo para brecar esse avanço dos vagabundos? Simplesmente não existe mais. Só Israel ficará para deter esses infames mau-metanos.
Isso é Bíblico, e é o que importa para o cumprimento das profecias e daquilo que Deus estabeleceu.