terça-feira, 17 de maio de 2011

O culto às celebridades e as relíquias


Numa época de intelectualismo e com a possibilidade do pensamento tradicional disponível para todos sem restrição, com acesso a uma literatura impressa variada e ao mundo aberto das comunicações via televisão e internet, você pensaria que um comportamento extremamente ritualístico como o da devoção às relíquias cessaria completamente. Entretanto, por mais estranho que pareça, esse fenônemo de colecionar relíquias não só não desapareceu na sociedade ocidental, como também tem-se fortalecido.

Mas o foco mudou drasticamente do culto ao sagrado ou aos santos para o culto às celebridades e às personalidades da televisão. Apesar de eu ter certeza de que provavelmente haja uma ou duas pessoas por aí que gostariam de possuir uma mecha do cabelo do atual papa, ou uma toalha com a qual a Madre Teresa enxugou as mãos, esses caçadores cristãos de relíquias foram quase totalmente substituídos por uma nova classe de devotos religiosos - centenas de milhares deles, na verdade - que prefeririam possuir um vestido que pertenceu a Marilyn Monroe, um lenço usado por Frank Sinatra, ou a arma de fogo usada por Clint Eastwood no filme Dirty Harry.

Para muitos fãs, a busca por relíquias e suvenires de suas personalidades favoritas da televisão e do cinema, popstars e esportistas, mortos ou vivos (John Lennon e Elvis Presley são exemplos primordiais de celebridades já mortas cujas relíquias são constantemente visadas), é encarada com intensa religiosidade e fervor. Consequentemente, a indústria das relíquias ligadas a essas celebridades cresce dia a dia, e uma enorme variedade de lembrancinhas e parafernálias está agora prontamente disponível, e fotografias autografadas de personalidades do cinema e da televisão são lugar-comum (há até lojas que se especializam na venda de autógrafos de pessoas famosas - muitos dos quais suspeito que não sejam autênticos). Itens mais singulares são constantemente procurados, tais como camisetas suadas de jogadores de futebol que, ao final das partidas, tiram-nas e jogam-nas para as multidões; ou itens pessoais bizarros, tais como cuecas de famosos vocalistas de bandas jovens. Embora a ideia de alguém venerar cuecas possa ser repulsiva, que diferença há entre isso e a veneração de um dedo murcho ou de um pedaço encurvado de pele que se alega terem sido de João Batista?


Shimon Gibson, no livro A gruta de São João Batista.
Imagem: Internet

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