quarta-feira, 4 de maio de 2011

Censura ainda é ameaça ao jornalismo no Brasil

Gabriel Manzano
O Estado de Sao Paulo

Casos como o da decisão judicial contra o ‘Estado’ revelam persistência de obstáculos para o livre exercício da divulgação de informações no País

O caso da censura imposta ao Estado pelo Judiciário “é emblemático de como é difícil, atualmente, fazer jornalismo investigativo no País”. E isso “é uma pena”, porque o Brasil vive “um cenário de amplas liberdades como há muito não se via”. A avaliação é do diretor de Desenvolvimento Editorial do Estado, Roberto Gazzi, que participou ontem do Fórum Democracia e Liberdade, promovido pelo Instituto Millenium em São Paulo para marcar o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa.

Fiipe Araujo/AE
Desafios: Gazzi, do 'Estado', durante sua palestra: dificuldade para fazer jornalismo investigativo

A afirmação foi dada durante debate sobre Jornalismo Investigativo e Democracia, em mesa na qual estavam o jornalista Eugênio Bucci e Cláudio Weber Abramo, da ONG Transparência Brasil. Em discussão, os desafios que enfrentam os jornais, tendo de custear a busca de informação e enfrentar pressões de setores contrários às investigações.

Abramo e Bucci fizeram depoimentos pouco otimistas. O primeiro destacou que “cerca de 80%”dos 820 jornais diários brasileiros são de cidades pequenas e dependem de dinheiro público. “Essa imprensa está nas mãos dos caciques em cada região”, citando como exemplos “Sarney, Collor, Jader Barbalho, Alves ou Maia, Tasso”.

Bucci citou a morte de Osama Bin Laden para questionar a transparência das informações: “Como saber em que condições aquilo realmente ocorreu?”. E cobrou transparência das próprias empresas, principalmente a respeito de suas fontes de receita, já que, ressaltou, parte da publicidade é paga por estatais. “Como falar em jornalismo investigativo nessa condição?”

Gazzi afirmou que “os jornais nunca foram tão lidos como agora”, já que as notícias do papel vão para a internet e as redes sociais. Mas financiar a produção é difícil, pois “a internet contribuiu para que o público achasse que a informação é de graça”. E disse que “a pressão da sociedade vai fazer com que liberdade de imprensa seja preservada”. Liberalismo. No painel sobre Capitalismo de Estado e Democracia, os palestrantes Demétrio Magnoli, Alberto Carlos Almeidae Rodrigo Constantino criticarama fraquezada oposição brasileira e o excesso de intervenção estatal na economia. “O Brasil confunde liberalismo com conservadorismo”, disse Almeida.

Um comentário:

Anônimo disse...

Discordo de que os jornais "nunca foram tão lidos como agora". Aliás o número de acessos a Blogs jornalísticos e independentes tem aumentado vertiginosamente. Uma pesquisa nos EUA divulgou que a maioria da população não confia nos jornais de papel. No Brasil o índice de pessoas que leem jornais ainda é o mesmo de há 40 anos.
Agora que a censura tem crescido isso tem. O Brasil não é uma democracia de verdade e nunca foi. Sempre que há um governozinho vagabundo no poder como é o de hoje em dia, há restrições na divulgação das informações.
Outro detalhe, o jornalismo investigativo que aqui se faz, não chega nem aos pés do que é feito nos EUA ou na Europa, por exemplo.
Jornalistas brasileiros, em quase sua maioria, bebem das águas do esquerdismo e dos sindicalóides que escolhem à dedo os mais puxa-sacos.
O Brasil é mesmo o lixo ocidental!!!