terça-feira, 17 de maio de 2011

As novas agressões a Israel e o futuro


Os leitores já perceberam que eu, definitivamente, não estou entre os otimistas com a chamada “Primavera Árabe”. Mais do que isso até: acho que os americanos, com o auxílio luxuoso da França e da Grã-Bretanha, estão cometendo erros em penca no Oriente Médio. Numa leitura em perspectiva bastante crítica, digo que Jimmy Carter entregou o Irã aos aiatolás, e Barack Obama está se encarregando de consolidar o país como a grande potência regional.

Há jihadistas fazendo a luta “democrática” contra Muamar Kadafi; o “novo Egito”, no que diz respeito à tolerância com “o outro não-islâmico”, por enquanto, mostra-se pior do que o do ditador Mubarak. Nunca, em décadas, tantas igrejas cristãs e tantos cristãos propriamente foram tão perseguidos. Não é por acaso — e, com freqüências, as pessoas não se dão muito conta do que dizem — que tantos apontem que a “Primavera Árabe” torna o ambiente mais hostil a Israel. Que consideração estaria embutida nessa constatação? Seriam as “democracias” árabe e israelense incompatíveis?

A minha pergunta é retórica, claro! Alguém poderia dizer: “Oh, não se faça de ingênuo, Reinaldo; é claro que, sem os ditadores pró-Ocidente, a população tende a se solidarizar com a causa palestina”. Muito bem! Qual causa? São bem poucas as pessoas, judias ou não, que se opõem a um estado palestino. A questão, desde sempre, é saber sob quais condições e com quais atores, certo? Algumas dessas “condições” — a volta do que chamam “refugiados” a Israel, por exemplo — significariam o fim do estado judeu. Algum país flertará algum dia com o seu fim? Acho que não. Mas não quero me ater a esses aspectos já tão antigos do confronto. Fixo-me nos acontecimentos de domingo.

No aniversário dos 63 anos de Israel, palestinos residentes no Líbano, na Jordânia e na Síria tentaram invadir a fronteira legal de Israel e foram contidos pelas forças de segurança. O aniversário de fundação do país é, para eles, a “naKba”, “dia da desgraça”. Aqui e ali se lê que os protestos foram levados pelos mesmos ventos ditos “democratizantes” que sopram em outros países árabes.

Epa!!! Aí as coisas se complicam bastante. Qualquer que seja o desfecho da crise história do Oriente Médio, ele terá de ser negociado. Não será na base da invasão, origem, diga-se, de alguns dos severos impasses que se vivem hoje, não é? Foi o que se tentou, vamos ser claros, em 1967 e 1973 — e Israel ganhou as duas guerras. Quem se mobiliza em nome da “nakba” não está querendo negociar, mas eliminar o outro país. O “dia da desgraça” refere-se à criação do estado de Israel, à sua existência. Esperava-se o quê? Que os manifestantes fossem recebidos com flores? Com que então ventos democratizantes empurram palestinos justamente da tirania síria e do sul do Líbano (sob o comando do Hezbollah) para Israel? E esses “democratas” o fazem mobilizados pela “nakba”?

Parece evidente que Síria e Líbano, por motivos diferentes, fizeram corpo mole. O governo sírio prefere que as atenções do país se voltem contra o “inimigo de sempre”, e o Hezbollah é um movimento terrorista. Não é difícil ler textos em que Israel aparece, de novo, como vilão — acusa-se o estado de ter “assassinado” 16 palestinos. Morreram, sim, infelizmente. E foram mandados para “o martírio” por líderes que não estão exatamente dispostos a negociar a paz.

Os tais ventos democratizantes também estariam na origem do acordo entre Hamas e Fatah, que, então, se uniriam para fazer a tal “declaração unilateral” do estado palestino, o que conta com a concordância já de muitos países — Brasil incluído. Eu nunca vi — seria esta a primeira vez — uma declaração unilateral de qualquer coisa (que não seja um cessar-fogo) contribuir para a paz entre litigantes. Nunca! Trata-se de um absurdo nos próprios termos. Mais: cobra-se moralmente de Israel que não interfira naquela união e que negocie. Pois bem! Pouco importa se o grupo chama “Hamas” ou “pomba da paz”. O busílis é outro: o Hamas vai mudar as suas práticas? O Hamas vai rever seus estatutos? O Hamas vai reconhecer a existência de Israel? Ou, então, me digam: o que se tenta impor moralmente a país? Que contribua para fortalecer um grupo que jura estar empenhado em eliminá-lo do mapa? Aí já é pedir um pouco demais, acho eu.

No fim das contas tudo se resume a esta fórmula: “Dêem-nos a terra, e nós lhes daremos a paz”. Não! Como escrevi e falei ontem no seminário, a paz vem primeiro. Ou por outra: os palestinos ponham fim ao terrorismo e reconheçam a existência legal de Israel. Esse, seria, sem dúvida, um começo virtuoso.

Por Reinaldo Azevedo
Imagem: Internet

Um comentário:

indiosabio disse...

Desde Panamá: Esta"invasión"fue planificada para provocar a Israel y arrastrarla a la hoguera encendida por los islamitas extremistas.Ellos pretenden redirigir la furia árabe contra los gobernantes,hacia Israel. Táctica de distracción.Quieren ayudar la venida de su mesías El Mahdi,quien los guiará a destruir Israel e implantar Islam en el mundo.Recordar que en esa región se decidirá el futuro de la humanidad, por la presencia de la disputada Jerusalen, donde pisará el Rey de Reyes en su regreso y vencerá a El Mahdi