terça-feira, 26 de abril de 2011

Wikileaks revela colaboração entre EUA e Vaticano depois de invasão do Iraque


“Se o futuro correr bem, o passado será esquecido”, garantiu o Cardeal Ruini ao enviado especial dos Estados Unidos.

O Vaticano afirmou que “respeitava” a decisão de George Bush de invadir o Iraque e propôs-se colaborar com os EUA para fazer chegar auxílio humanitário às populações, no preciso dia em que os soldados americanos ocuparam Bagdade, segundo um telegrama acabado de publicar no site do Wikileaks.

A comunicação dá conta de uma reunião entre John Bolton e altas figuras do Vaticano, incluindo os cardeais Ruini, na altura vigário de Roma, Tauran, ministro dos Negócios Estrangeiros do Vaticano e especialista no Islão e Mundo Árabe e o americano Francis Stafford, na altura responsável pelo Conselho Pontifício para os Leigos.

Numa conversa franca e abrangente os responsáveis católicos afirmaram que a igreja “respeita” a decisão de invadir o Iraque e mostraram-se muito preocupados em minorar os efeitos da guerra sobre a população, dispondo-se a colaborar com os americanos nesse sentido.

Recorde-se que João Paulo II condenou veementemente o recurso à força na questão iraquiana. Contudo, consumada a invasão, os cardeais deram a entender que a Igreja estava interessada em melhorar os laços com os EUA e a usar os seus meios e a sua influência para ajudar a população iraquiana.

Segundo o telegrama agora publicado o cardeal Tauran explicou que a Igreja Caldeia, a principal igreja católica no Iraque, tinha no terreno uma excelente rede que deveria ser aproveitada para distribuição de medicamentos e alimentos, contornando assim o aparecimento de “máfias” que aproveitavam a distribuição desses bens para lucrar.

Se o futuro correr bem, o passado será esquecido
Nitidamente impressionados com as imagens de iraquianos a saudar a chegada dos soldados americanos, o Cardeal Ruini assegurou o representante americano de que “se o futuro correr bem, o passado será esquecido”, mas todos os presentes avisaram longamente Bolton para o facto da imagem EUA ser cada vez mais negativa em grandes partes do mundo, incluindo o mundo islâmico e também a Europa.

Com base neste facto, a Igreja enfatizou a necessidade de dar um importante papel às Nações Unidas na ocupação do país.

Tauran, grande conhecedor do mundo árabe e do Islão, mostrou-se confiante numa transição rápida para um Governo legítimo e democrático, afirmando que os iraquianos são “intelectualmente bem dotados”, e citando um ditado daquele país que afirma que “os livros são escritos no Cairo, impressos no Líbano e lidos em Bagdade”.

Pela sua parte John Bolton agradeceu a ajuda dos bispos e garantiu que a invasão do Iraque não era um “modelo” que os EUA tencionassem aplicar a outros países como a Coreia do Norte ou o Irão.

O autor do telegrama exalta a reunião e sugere que Washington prossiga com este género de encontros de alto nível por forma a melhorar a cooperação neste tipo de assuntos.

Fonte: Renascença
Imagem: Internet

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