quarta-feira, 27 de abril de 2011

Piadas com minorias: analisando o telhado de vidro do CQC

Depois do orgulho gay, orgulho de pai de gay. Debate público é reduzido aos velhos chavões 'orgulho e preconceito'

Quando não estão adulando Dilma e Lula, ou tentando cassar o mandato de algum deputado mais mal comportado, os garotos do CQC estão fazendo graça. Mas o mais engraçado é que eles adoram fazer piadas com gays e com homossexualismo: são comentários ofensivos e pejorativos que, na boca de algum inimigo, serviriam como munição para a habitual perseguição imposta a “conservadores” e “direitistas”.

Mais uma prova de que toda essa conversa fiada a respeito de “homofobia e intolerância” não passa de uma engenhosa artimanha para prejudicar e censurar o pensamento e a liberdade de expressão – mas somente dos inimigos da esquerda e da militância politicamente correta.

Selecionamos alguns trechos do programa CQC exibido dia 4 de abril. Como será demonstrado a seguir, boa parte do humor desenvolvido pelo grupo baseia-se naquilo que a militância gay convencionou chamar de “desrespeito” e “intolerância”. Um verdadeiro festival de grosserias e piadas infames tendo como alvo o comportamento homossexual. Para nós, mero e legítimo exercício da liberdade de expressão e da criação artística. E para eles?


TRECHO 1 Felipe Andreoli na Vila Belmiro

http://cqc.band.com.br/videos.asp?v=2c9f94b42f211e20012f2366b279017e&pg=1#videos_topo

02:00 – O repórter se refere a “bambi”, “maricon” em espanhol, pejorativo para homossexual

04:26 – O repórter faz piada com quem está “espiando o vestiário masculino”, dizendo que isso é “meio estranho”

05:32 – O repórter faz piada e ri da expressão chula “manja-rola”, que designa homossexuais no ambiente de um vestiário de clube de futebol

06:10 – O repórter faz trocadilho com a expressão “fechadinho lá atrás”, óbvia menção a homossexualidade

06:18 – O repórter repete a piada, agora mencionando o ambiente do vestiário

07:29 – Os apresentadores Marcelo Tas e Rafinha Bastos prosseguem as piadas com a expressão “manja-rola”. Todos riem, inclusive o auditório.

TRECHO 2 Rafael Cortez no Prêmio APCA

http://cqc.band.com.br/videos.asp?v=2c9f94b42f211e20012f236be45b0182&pg=1#videos_topo

02:30 – Rafael Cortez brinca, dizendo que é “muito gay”

03:20 – O repórter faz um trocadilho com a expressão ”pegar no meu microfone”, alusão óbvia ao comportamento homossexual, e ri

05:10 – O repórter do CQC e o apresentador Rodrigo Faro brincam sobre o hábito de “vestir-se de mulher”, que seria um “desejo inconsciente” (insinuação obviamente pejorativa de homossexualidade)

TRECHO 3 Danilo Gentili e Rafael Cortez testam camisinhas

http://cqc.band.com.br/videos.asp?v=2c9f94b62f21c77f012f238aed7b012d&pg=1#videos_topo

01:20 – Gentili brinca com o fato de que Cortez é atendido por um farmacêutico masculino e não por uma mulher, insinuando sua homossexualidade. Ele ri e manda beijos para o colega, ridicularizando-o

01:30 – Gentili prossegue ridicularizando o colega por sua suposta homossexualidade, ao insinuar que ele “mastiga preservativos”

TRECHO 4 CQTeste com Rafael Cortez e Dr. Hollywood

http://cqc.band.com.br/videos.asp?v=2c9f94b42f211e20012f239f50f0018e&pg=1#videos_topo

01:27 – O médico diz que tem “voz de gay”. Ambos riem, mas o repórter se apressa em ajuda-lo, dizendo que ele “não é gay”

01:41 – O repórter faz um trocadilho com a expressão ”corta com os dois lados”, alusão óbvia à bissexualidade

02:38 – Ambos fazem piada com cirurgia de mudança de sexo. Cortez insinua que seu colega Rafinha Bastos teria tentado fazer a operação, em comentário nitidamente pejorativo

TRECHO 5

Finalmente, compare com o que o deputado Jair Bolsonaro falou a respeito de homossexualidade e cotas em entrevista a Danilo Gentili:
http://cqc.band.com.br/videos.asp?v=2c9f94b52f0e826c012f23c007cf07a0&pg=1#videos_topo

Agora, veja alguns comentários escritos ou ditos em outras ocasiões pelo mesmo repórter do CQC, Danilo Gentili:

“O Dr. Hollywood não parece um retardado gay, quando fala em português?” ( http://ofuxico.terra.com.br/noticias-sobre-famosos/danilo-gentili-chama-o-dr-hollywood-de-retardado-gay/2010/01/28-84880.html )

“Hoje São Paulo não está cinza, São Paulo está colorida. É a 14ª Parada do Orgulho LGBT. Aqui a gente encontra gay, lésbica, transexual, simpatizantes e até essas coisas aqui que eu não sei como classificar.”

“Só queria saber quantas aves precisam morrer pra você provar que é bicha.”

( http://entretenimento.r7.com/famosos-e-tv/noticias/preta-gil-chama-reportagem-de-gentili-na-parada-gay-de-preconceituosa-20100608.html )

“Alguém pode me dar uma explicação razoável porque posso chamar gay de veado, gordo de baleia, branco de lagartixa, mas nunca um negro de macaco?”

“Quando toca a música ‘detalhes tão pequenos de nos dois’, sempre imagino um casal gay nipônico.”
( http://kiminda.wordpress.com/2009/07/28/danilo-gentili-investigado-por-crime-de-racismo/ )

Pergunta: quem foi mais desrespeitoso ou ofensivo às minorias, de modo geral?

É fácil perceber, ademais, que se eliminando a tiração de sarro em relação ao comportamento homossexual, sobra bem pouco no “humor inteligente” dos patrulheiros politicamente corretos do CQC.

E uma pergunta final: quantos apresentadores ou comediantes negros tem o CQC?

Fonte: Mídia a Mais

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