sexta-feira, 29 de abril de 2011

Egito flerta com Hamas e Irã e irrita Israel e EUA

Além de estudar a possibilidade de reabrir a fronteira bloqueada de Gaza, país media acordo entre Hamas e Fatah e diz que reatará laços diplomáticos com Irã

Líder do Hamas, Ismail Haniya, acena para fotos dois dias depois de seu grupo e o Fatah alcançarem acordo (Mohammed Abed / AFP)

Nos últimos dias, o Egito vem assinalando algumas mudanças em sua política internacional bastante incômodas para Estados Unidos e Israel. Além de estudar a possibilidade de reabrir a fronteira bloqueada de Gaza, o país tem flertado com dois inimigos israelenses: Hamas e Irã.

Os líderes palestinos de Hamas e Fatah foram convidados a assinar um acordo de unidade no Cairo na próxima semana, 2 de maio, que acabaria com a rivalidade entre as facções dominantes, disseram autoridades palestinas nesta sexta-feira. O pacto, mediado pelo Egito, foi anunciado de maneira surpreendente na quarta-feira, depois que as demandas para formar um novo governo foram aceitas tanto pelo presidente palestino, Mahmoud Abbas, do Fatah, que governa a Cisjordânia, quanto pelo Hamas, que controla a Faixa de Gaza.

Palestinos - Israel criticou o acordo, afirmando que Abbas não poderá ser visto como um parceiro da paz se oficializar laços com o Hamas, um grupo islamita que defende a destruição de Israel. As potências ocidentais receberam a noticia da união palestina com frieza, dizendo que era um passo importante, mas ressaltando que esperam que a nova administração aceite demandas internacionais - que incluem o reconhecimento de Israel como Estado e a renúncia à violência.

O acordo surpresa foi anunciado mesmo com o congelamento por meses das conversas de paz com Israel, e foi feito enquanto os palestinos pressionam unilateralmente a ONU para reconhecer a soberania do Estado em setembro. O Hamas venceu a última eleição legislativa dos palestinos, em 2006. Um governo de coalizão foi formado com o Fatah, mas não durou muito e culminou em uma breve guerra civil em Gaza no ano de 2007.

Irã – A porta-voz do Ministério de Relações Exteriores egípcio, Menha Bakhoum, anunciou que o país também pretende reatar laços diplomáticos com o Irã. “O mundo todo tem relações diplomáticas com o Irã, exceto EUA e Israel. Nós vemos o Irã como um vizinho com quem deveríamos ter relações normais. O país não é percebido nem como um inimigo nem como um amigo”.

O jornal americano The New York Times defendeu, nesta feira-feira, que as medidas são uma maneira de o Egito reconquistar sua forte influência no Oriente Médio, que diminui desde que o país assinou um acordo de paz com Israel em 1979. “Nós estamos abrindo uma nova página” , disse Menha. “O Egito está retomando um papel ao qual um dia abdicou”.

Fonte: Veja
Com agência Reuters

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