quarta-feira, 20 de abril de 2011

Os nazistas criaram os campos de concentração. FALSO!

Os líderes do Terceiro Reich desenvolveram esse sistema de aprisionamento durante a Segunda Guerra Mundial para prender comunistas, judeus, homossexuais e ciganos, certo? Errado!

(C) Sami Kalloniem / Shutterstock
Os nazistas transformaram esse tipo de prisão em verdadeiros centros de extermínio, como Auschwitz (foto)

É preciso distinguir os campos de extermínio, organizados pelos nazistas durante os anos finais da Segunda Guerra, dos campos de concentração. Os primeiros surgiram para viabilizar a “solução final” – o extermínio dos judeus aprisionados até então pela ditadura de Hitler. Já os segundos foram criados no final do século XIX e não são uma invenção alemã.

O surgimento do arame farpado permitiu cercar e isolar enormes porções de terra a um custo muito baixo. Essas áreas serviam inicialmente para encarcerar opositores políticos, inimigos estrangeiros, minorias étnicas ou grupos religiosos específicos. O recurso era usado geralmente em situações de guerra, e os prisioneiros eram confinados sem julgamento prévio. O sistema foi aplicado pela primeira vez pelos espanhóis durante a Guerra de Independência de Cuba (1895-1898) para impedir que grupos de civis apoiassem rebelião.

No entanto, a primeira utilização do termo “campo de concentração” é atribuída aos britânicos, que construíram mais de 100 deles durante a Guerra dos Bôeres (1899-1902). Nesses espaços de confinamento eram internadas as famílias de colonos holandeses e franceses que tiveram suas propriedades destruídas durante os combates na África do Sul. Ao todo, mais de 120 mil pessoas foram detidas, especialmente idosos, mulheres e crianças.

As condições de vida nos campos ingleses eram péssimas devido à insalubridade dos abrigos e ao constante racionamento de água e de alimentos. Doenças como a febre tifoide e a disenteria, aliadas à falta de higiene e de material médico, mataram cerca de 30 mil pessoas, mais de 70% delas crianças.

Infelizmente, essa forma de aprisionamento foi aplicada com certo sucesso ao longo de todo o século XX. Em 1904, por exemplo, os alemães invadiram a Namíbia e montaram campos de concentração para eliminar os nativos, pertencentes à etnia #herero#. Nesse período inicial, os oficiais germânicos já realizavam experiências médicas com os prisioneiros.

A França, por sua vez, construiu campos de concentração durante a Primeira Guerra Mundial para reagrupar cidadãos alemães e austro-húngaros em seus territórios originais. A experiência foi reeditada em 1939, principalmente na região do Rossilhão, no sul do país, para reunir os refugiados republicanos da Guerra Civil Espanhola.

Apesar de tudo, os maus-tratos e o trabalho forçado ainda não haviam sido sistematizados. Essas práticas se tornaram comuns com o surgimento de regimes totalitários, como o soviético, que multiplicou os chamados gulags para prender opositores do governo instaurado pela Revolução Russa.

Desde então, a guerra deixou de ser a única situação que legitimava essa forma de aprisionamento. Stalin desenvolveu técnicas de confinamento do tipo em seu país ao longo da década de 1930, mesma época em que foram abertos os primeiros campos de concentração nazistas, começando por Dachau, em 1933. Hitler racionalizou esse tipo de internação e criou, finalmente, o campo de extermínio. Era inaugurada uma etapa de industrialização da morte, cujo resultado seria a “solução final”.

Olivier Tosseri é jornalista

Fonte: Hístória Viva

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