segunda-feira, 18 de abril de 2011

Independência dos EUA mudou o mundo

Obra de David Armitage investiga o legado histórico da declaração separatista esboçada por Thomas Jefferson

Todos os homens são iguais e têm direitos inalienáveis, como a vida, a liberdade, a busca da felicidade. Se um governo atua para destruir esses princípios, é direito do povo derrubá-lo.



Em torno desses conceitos foi redigida a Declaração da Independência dos Estados Unidos, aprovada em congresso em 4 de julho de 1776. O texto ganhou o mundo e inspirou documentos similares emvários países.

David Armitage, doutor em história pela Universidade de Princeton e professor em Harvard, se debruçou sobre a declaração esboçada por Thomas Jefferson ( 17431826 ).

Analisou o texto, buscando visões nos campos jurídicos, filosóficos, históricos, linguísticos. Comparou com outros escritos semelhantes feitos em dezenas de países em mais de dois séculos. O resultado é o livro
“Declaração de Independência - Uma História Global”.

O autor advoga que o documento, mesclando o anúncio da independência, uma declaração de direitos e um manifesto, inaugurou um gênero de literatura política.

O volume tenta trazer um pouco do panorama político e econômico da época, mostrando, por exemplo, o jogo de pressões em torno do rascunho do texto, as repercussões internacionais, as críticas produzidas pelos áulicos do rei britânico.

Monarquistas condenaram o “ atrevimento” dos colonos e enxergaram hipocrisia na declaração, pois falava em homens iguais em um país escravocrata.

Era “ ridículo” ver, escreveu Thomas Day, abolicionista inglês, “ um patriota americano assinando resoluções de independência com uma das mãos e, com a outra, brandindo um açoite sobre seus escravos amedrontavreto “ Senso Comum” foi importante na propaganda pelo Estado livre e republicano, sendo a publicação mais vendida na época.

O historiador poderia ter aprofundado mais o contexto da revolta norte-americana e dos movimentos independentistas dos quais trata no livro. A visão de conjunto parece limitada ao movimento de fragmentação de impérios. A dinâmica capitalista que embalou as rebeliões não é abordada.

O que o livro faz mesmo é estabelecer um painel variado, sem se preocupar em dissecar revoltas, revelar os interesses ou construir um pano de fundo mais denso para os movimentos e os documentos que produziram.

Bem interessante é a seção com as íntegras de algumas declarações de independência. Destaque para o texto do Vietnã, de 1945, redigido por Ho Chi Minh ( 1890-1969), e que parte da consagrada proclamação norte-americana.

Outro documento contundente é o do Haiti, de 1804. A rebelião escrava construiu um manifesto forte, exclamando: “ É necessário viver de forma independente, ou morrer. Independência ou morte!”. Palavras que entrariam também para a história do Brasil anos depois.

DECLARAÇÃO DE INDEPENDÊNCIA
AUTOR David Armitage
EDITORA Companhia das Letras
TRADUÇÃO Angela Pessoa
QUANTO R$ 43 ( 264 págs.)
AVALIAÇÃO bom

Fonte: Folha de S. Paulo

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