sexta-feira, 8 de abril de 2011

EUA veem piora na situação de direitos humanos na China

da BBC Brasil
via Folha de S. Paulo

Os Estados Unidos manifestaram nesta sexta-feira sua preocupação com a "piora" da situação de direitos humanos na China.

"Temos visto tendências negativas que parecem ter piorado na primeira parte de 2011", disse a secretária de Estado, Hillary Clinton, ao apresentar o relatório de direitos humanos do Departamento de Estado.

"Como já dissemos repetidas vezes, os Estados Unidos saúdam a ascensão de uma China próspera e forte", disse Clinton.

"Mas permanecemos profundamente preocupados com relatos de que, desde fevereiro, dezenas de pessoas, incluindo advogados, escritores, artistas, intelectuais e ativistas foram arbitrariamente detidos e presos."

A secretária citou o caso do artista Ai Weiwei, preso no último domingo, e disse que sua detenção é "contrária ao Estado de direito".

"Nós instamos a China a libertar todos aqueles que foram detidos por exercer seu direito internacionalmente reconhecido de livre expressão e a respeitar as liberdades fundamentais e os direitos humanos de todos os cidadãos", disse Clinton.

REPRESSÃO E INTERNET

Segundo a secretária, o mais recente relatório de direitos humanos, com dados relativos a 2010, identificou três "tendências perturbadoras".

A primeira delas, de acordo com ela, foi a "repressão generalizada" a ativistas da sociedade civil. Além do caso da China, a secretária citou ainda a Venezuela, onde "o governo usa tribunais para intimidar e perseguir ativistas da sociedade civil".

A Rússia também foi destacada, pela "repressão a grupos da sociedade civil" que, segundo Clinton, "tornou-se violenta, com diversos ataques e assassinatos de jornalistas e ativistas".

Outra tendência mencionada pela secretária foi a violação de "liberdades fundamentais de expressão, assembleia e associação" por meio de restrições à liberdade de acesso à internet em diversos países.

"Mais de 40 governos restringem o acesso à internet de diferentes maneiras", disse Clinton, ao citar países como Mianmar e Cuba.

A secretária de Estado americana criticou ainda a repressão e perseguição a minorias raciais, étnicas e religiosas e também a gays, lésbicas, bissexuais e transexuais em diversos países.

AVANÇOS

O relatório sobre a situação dos direitos humanos no mundo é apresentado anualmente pelo Departamento de Estado ao Congresso americano. A edição deste ano tem mais de 2 milhões de palavras com dados relativos a 194 países.

Ao falar sobre os avanços em direitos humanos observados em alguns países, Clinton citou as recentes revoltas populares em diversas nações árabes e muçulmanas do norte da África e do Oriente Médio por mais democracia.

"Nos últimos meses, nós fomos particularmente inspirados pela coragem e determinação dos ativistas no Oriente Médio e no Norte da África e em outras sociedades repressivas que exigiram mudanças democráticas e pacíficas e respeito a seus direitos humanos universais", afirmou a secretária.

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