quarta-feira, 13 de abril de 2011

Crescem redes sociais destinadas a fãs de livros, cinema e séries de tevê

Assim como o espeço dedicado aos filmes, o site de livros permite que o usuário liste as obras que já leu, marque suas favoritas e dê notas às obras

Gazeta Web

O amor pelo cinema nutrido pela estudante Thaís de Lima ultrapassou os limites da pequena cidade histórica de Mariana, no interior de Minas Gerais. Sem cinemas, como a grande maioria dos municípios brasileiros, o lugar onde a jovem mora foi palco do surgimento da primeira rede social voltada exclusivamente para o universo da sétima arte. Em 2009, quando conheceu a Skoob (Books, livros, em inglês, lido de trás para a frente), uma rede social dedicada à literatura, a jovem teve uma ideia: se existia um site de relacionamentos para livros, por que não criar um para filmes? Com dois amigos que também se interessavam pelo assunto e entendiam de tecnologia, Thaís criou o Filmow, site que une cinéfilos de todos os cantos do país.

O projeto dos amigos começou bem pequeno, sem investimento externo, e como trabalho feito nas horas vagas dos três. “Entre a idealização do projeto e o lançamento da primeira versão do Filmow, passaram-se cerca de dois meses. O projeto não teve nenhum investimento e foi todo programado pelo Alisson Patrício, cofundador do site”, explica Wanderson Niquini, 29 anos, o terceiro responsável pela criação do site ou, como descreve a página da rede social, “o cabeçudo responsável por apresentar o Filmow ao mundo”.

Com uma proposta simples, mas inovadora, não demorou para a página começar a fazer sucesso entre os internautas, mesmo sem uma grande estrutura e com uma interface básica. “A divulgação começou no boca a boca. Amigos indicando para amigos. O Twitter foi uma excelente ferramenta, que nos ajudou muito e nos ajuda até hoje”, conta o rapaz. Hoje, a rede tem cerca de 80 mil usuários — e 32.178 filmes e séries de TV cadastrados. “Todos os dias, 250 novos usuários chegam à rede e cerca de 40 filmes entram para a base de dados. Além disso, recebemos aproximadamente 210 mil visitantes únicos no mês, que buscam informações sobre filmes, mas ainda não se cadastraram”, informa Niquini.

Em tempos de internet 2.0, na qual os consumidores também são produtores de conteúdo digital, para gerenciar o crescimento da rede o grupo conta com o apoio justamente dos usuários do site. São eles que inserem filmes ainda não integrantes da base de dados e que sugerem a criação de ferramentas para o site. Um link na lateral da página permite aos internautas darem sugestões de mudanças no Filmow e votarem nas ideias dadas por outros usuários. As mais votadas são postas em prática na página. Foi assim na inclusão de páginas de artistas das quais os cinéfilos podem se tornar fãs e na integração com o Twitter e o Facebook. “Além disso, 47 moderadores revisam todo o conteúdo que entra no site”, conta o cofundador. Esses moderadores são internautas que se destacaram por incluir muitos filmes, denunciar erros ou sugerir fontes para informações incompletas.

Entre os que se renderam ao Filmow está o estudante de publicidade Filipe Duarte, 22 anos. Cinéfilo de carteirinha, o jovem conheceu o site por acaso. “Acho uma proposta bem interessante, porque permite fazer um acompanhamento dos filmes que já vi, além de discutir com outras pessoas sobre os filmes”, conta o rapaz. “Além disso, ele sugere filmes semelhantes àqueles que assistimos e é possível publicar críticas dos filmes e saber dos lançamentos”, conta o rapaz, que aproveita a rede social para descobrir filmes que não entram no circuito comercial e não são tão badalados. “Foi assim com o filme Lunar (2009), uma ficção científica britânica de baixo orçamento, que é muito boa, mas não ficou muito conhecida.”

A funcionalidade que permite adicionar ao perfil todos os filmes que o usuário já assistiu causa uma leve disputa de Filipe com seus amigos. Com 1.150 filmes cadastrados em seu perfil, o estudante é um dos líderes entre os amigos. “Às vezes, há uma competição para quem viu mais filmes ou para assistir a determinada produção, mas é de brincadeira, uma coisa saudável”, conta o rapaz — que, segundo sua página no Filmow, tem 976 filmes na fila para serem assistidos.

Clube virtual de leitura

Inspiração para a criação do Filmow, o site Skoob é hoje referência para quem gosta de ler. A rede dedicada à literatura está no ar desde 2009 e também foi criada no Brasil, para atender a um grupo de amigos que queriam uma alternativa on-line para falar de livros. “Mesmo sem nenhuma divulgação, a adesão inicial foi muito além das nossas expectativas: mais de 7 mil usuários em apenas um mês”, conta Lindenberg Moreira, um dos fundadores do Skoob. A meta inicial era atingir 5 mil usuários depois de um ano. “Chegamos ao fim dos primeiros 12 meses com mais de 125 mil usuários. Desde então, a rede não para de crescer, tanto em número de usuários cadastrados quanto em funcionalidades”, completa Viviane Lordello sócia-diretora da rede.

Assim como o espaço dedicado aos filmes, o site de livros permite que o usuário liste as obras que já leu, marque suas favoritas e dê notas às obras. Além de calcular o número de páginas e o tamanho médio dos livros que cada usuário leu, recentemente o site ganhou nova funcionalidade: a troca de livros. Quem estiver interessado em se desfazer de um livro e adquirir outro tem um espaço dedicado a isso gratuitamente no site. Usuários plus, que pagam por uma assinatura, têm acesso a recursos extras, como a busca por livros disponíveis para troca.

A estudante Bianca de Moraes, 20 anos, já cogita adotar uma conta plus, tamanho o seu interese pelo Skoob. “Nem me lembro de como conheci, mas foi bem no início, e hoje não consigo viver sem. Sempre cadastro os que li”, conta a jovem, com 160 livros registrados e outros 30 aguardando para serem lidos. “Sempre que alguma conversa surge sobre literatura, acabo indicando o site para as outras pessoas. É uma ferramenta muito boa para quem gosta de ler”, completa a estudante.

Entre as funcionalidades que Bianca mais usa está o fórum de discussão dos livros. “Muita gente utiliza para escrever resenhas dos livros. Acho muito interessante, pois amplia as possibilidades de opiniões sobre uma determinada obra”, conta. De vez em quando, ela arrisca-se a escrever alguns textos sobre os livros que mais lhe chamam a atenção, tanto positivamente quanto negativamente. “Embora eu prefira ler, às vezes eu também escrevo algumas coisas”, afirma Bianca.

Seriados

Os viciados em séries de TV também encontraram seu espaço no mundo das redes sociais. Nessa área, uma das melhores pedidas é o Orangotag, onde é possível cadastrar os seriados que o usuário segue. O próprio site avisa quando um novo episódio estará disponível e quando os amigos já o assistiram. “Isso evita aquela situação chata de comentar um episódio com um amigo sem ele ter visto, estragando a surpresa”, conta a secretária executiva Bárbara Nonato.

Fã das séries “de menininha”, como ela define, como Gossip girl, How I meet your mother e One tree hill, ela ingressou na rede social sem grandes expectativas, há cerca de dois meses, mas foi logo fisgada pelo Orangotag. “Costumo me cadastrar em tudo que é rede social e fiz meu perfil nessa só para conhecer mesmo, mas acabei descobrindo que ela é uma ótima ferramenta para organizar as séries e não me esquecer de nenhuma”, conta a jovem.

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