terça-feira, 22 de março de 2011

Vale do Silício do Oriente Médio floresce em Israel

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Leis flexíveis e espírito de inovação fazem o país se destacar, relata livro

Centenas de empresas iniciantes são criadas; gigantes de tecnologia instalam importantes centros de pesquisa

Camila Fusco
Com 7,1 milhões de habitantes e 8.052 empresas de base tecnológica, Israel é considerado o berço de inovação do Oriente Médio.

Gigantes de tecnologia, como Google, Intel e Microsoft têm no país alguns de seus principais centros mundiais de pesquisa e desenvolvimento. Centenas de empresas iniciantes (startups) florescem a cada ano com projetos que vão de energia limpa a tecnologias complexas de segurança para internet.

Aos olhos dos especialistas, a inclinação dos habitantes por tecnologia de ponta e por empreendedorismo está longe de ser apenas acaso.

O "Vale do Silício do Oriente Médio" é resultado da conjunção de fatores como escassez de recursos naturais, necessidade de proteção e até a cultura militar.

Essa é a tese do livro "Nação empreendedora", que chega no Brasil, pela editora Évora, no mês que vem.
Escrito pelos americanos Dan Senor e Saul Singer, o livro tenta explicar algumas das razões pelas quais Israel desenvolveu o espírito empreendedor e atingiu a condição de país que mais recebe investimento em capital de risco (venture capital) por habitante do planeta -US$ 255, o dobro dos EUA.

"As pessoas são expostas ao empreendedorismo muito cedo em Israel. Desenvolvem autonomia de decisão no serviço militar obrigatório e aplicam como empreendedores", afirma Senor.

Esse será um dos temas discutidos pelo autor na viagem ao Brasil, em abril, e servirá de inspiração para programas de fomento para o empreendedorismo.

Um deles é o Binational Industrial Research & Development, programa conjunto de fomento do governo de Israel e dos EUA para novas tecnologias industriais, que já investiu quase R$ 8 bilhões em cerca de 800 projetos.

"O israelense aprende cedo que falhar não é vergonha. Ele não tem medo de inovar. É daí que podem surgir boas ideias", diz Senor.

RETENÇÃO
Apesar dos triunfos apontados por Senor e Singer, Israel tem algumas questões não respondidas sobre o potencial de nutrir e reter grandes empresas dentro do país.

Praticamente todas as empresas de tecnologia, de internet ou de telecomunicações, já adquiriram bons projetos criados em Israel. À medida que começam a despontar no mercado com produtos interessadas, são imediatamente compradas pelas companhias ocidentais.

São poucos os exemplos de companhias que chegam a sair do estágio inicial e se mantêm independentes. Um desses casos é a farmacêutica Teva, que hoje fatura mais de US$ 10 bilhões.

"Tecnologia e empresas com potencial para crescer existem, o desafio é ampliar o volume de capital de risco e de compra de participação em empresas localmente. Não é improvável o próximo Google vir de Israel."


Regulação cria incentivo para novas empresas


O incentivo israelense ao empreendedorismo deve ser copiado por outras nações que buscam ganhar relevância em inovação, entre eles o Brasil.

"Vivemos hoje um momento crucial em que a economia brasileira quer dar um salto de qualidade. Isso é impossível de se fazer sem desenvolvimento de tecnologia", afirma Jayme Blay, presidente da Câmara Brasil-Israel de Comércio e Indústria.

Para Blay, que também é autor do prefácio da edição brasileira do livro "Nação Empreendedora", um dos aspectos que deveriam ser copiados é o estímulo regulatório à criação de novas empresas mesmo em caso de fracasso do empreendedor em experiências anteriores.

Em Israel, se o dono de uma empresa iniciante não consegue levar adiante as operações de sua companhia, tem condições de abrir outra empresa sem nenhum problema legal, ao contrário do Brasil, que impõe restrições rígidas aos empreendedores que tiveram alguma companhia falida.

"O ambiente regulatório é um dos mais importantes para fazer florescer o empreendedorismo", afirma.
Na opinião do executivo, outros modelos saudáveis estão em educação.

"São inovações que nascem dentro da academia que podem ajudar a resolver, por exemplo, algumas questões inerentes à economia brasileira, como melhor produtividade agrícola e melhor aproveitamento da terra nordestina", resume. (CF)

Fonte: Folha de S. Paulo

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