quinta-feira, 17 de março de 2011

ONU aprova uso da força para deter Kadhafi

O Conselho de Segurança da ONU aprovou nesta quinta-feira todas as medidas necessárias, incluindo o uso da força, para deter o avanço do coronel Muamar Kadhafi sobre os rebeldes líbios.

O Conselho votou favoravelmente uma resolução que permite "todas as medidas necessárias" para proteger áreas civis, incluindo o estabelecimento de uma zona de exclusão aérea na Líbia.

O texto "estabelece uma proibição de todos os voos no espaço aéreo da Líbia de forma a proteger os civis".

A votação entre os 15 membros do Conselho foi de 10 a favor, nenhum contra e 5 abstenções, incluindo os membros permanentes China e Rússia, que não usaram seu direito a voto.

Segundo o texto, a ONU "autoriza os Estados-membros (...) a tomar todas as medidas necessárias (...) para proteger os civis e as zonas habitadas por civis sob a ameaça de ataques (pelas forças de Kadhafi), incluindo Benghazi".

No entanto, exclui "uma força estrangeira de ocupação sob qualquer forma e em qualquer parte do território líbio".

O vice-ministro líbio das Relações Exteriores, Khaled Kaaim, afirmou que a resolução "ameaça a unidade" do país e constitui um "apelo aos líbios para que se matem".

Segundo o vice-ministro líbio, a decisão é resultado de um "complô" da comunidade internacional "guiado pela vontade de países como França, Grã-Bretanha e Estados Unidos para dividir a Líbia".

A resolução foi adotada no momento em que Kadhafi anunciou um ataque sobre Benghazi, reduto dos rebeldes, prometendo "perseguir os traidores".

O ministro francês de Relações Exteriores, Alain Juppé, advertiu que não há muito tempo para intervir. "Pode ser questão de horas".

Pouco depois de a votação no Conselho ser divulgada, foram ouvidos "disparos de alegria" em Benghazi, reduto dos insurgentes na Líbia, segundo jornalistas da AFP.

França, Grã-Bretanha e Estados Unidos empurraram os demais países membros do Conselho de Segurança a adotar esse texto. O Líbano também contribuiu para a resolução.

Paris e seus aliados preparavam-se para atuar logo depois da aprovação do texto pela ONU, declarou Juppé.

"O primeiro passo é a aprovação de uma resolução e depois, com nossos aliados, prepararemos as decisões seguintes", declarou Juppé aos jornalistas antes da reunião do conselho.

Questionado sobre se a França participaria de combates aéreos, o ministro respondeu: "a França está pronta, junto aos outros, para levar a resolução do Conselho de Segurança à prática, inclusive nesse campo".

Por outro lado, Qatar e Emirados Árabes Unidos poderão participar de operações conjuntas contra o regime de Kadhafi com um aval da ONU, disse o chefe da delegação da Liga Árabe na ONU, Yahya Mahmassani.

O chefe da Força Aérea americana, o general Norton Schwartz, advertiu por sua vez que impor uma zona de exclusão aérea "não será suficiente" para deter a ofensiva das forças do líder líbio.

Fonte: AFP

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