segunda-feira, 21 de março de 2011

Nem Marx, nem Mao

por Juca Kfouri

Atenção, ironia: é hora de tirar o chapéu para o ministro do Esporte, Orlando Silva Júnior

NÃO FOSSE a assinatura de Rodrigo Mattos na reportagem publicada ontem nesta Folha, e eu, ateu confesso, juro por Deus que não acreditaria.

Quer dizer então que a Coca-Cola, o McDonald's e o Bradesco doaram R$ 940 mil ao PC do B na última campanha eleitoral?´

Ora, Orlando Silva Júnior, nosso intrépido ministro do Esporte, está de parabéns.

Nem em seus melhores sonhos a dupla Marx & Engels idealizou semelhante milagre. Lenin também passou ao largo, e Mao morreu sem ver, embora a sua China tenha mudado muito mesmo desde que a cor do gato deixou de interessar, desde que comesse os ratos.

Mas Mattos é jornalista e, como sabe o raro leitor, esta é uma raça maliciosa, que em vez de se limitar a dar a notícia, julga-se no direito de fazer ilações. E ele as fez, ao direcionar a estupefacta leitora com a lembrança de que as três empresas são patrocinadoras ou da Copa do Mundo no Brasil ou da Olimpíada no Rio, ou de ambas, casos da Coca-Cola e do McDonald's.

Já não bastasse este mesmo repórter, no domingo retrasado, ter sugerido que a esmagadora maior parte do dinheiro investido pelo ministério do camarada Silva beneficiou sua base política em São Paulo e aliados do Partido Comunista do Brasil.

Ora, quanta maldade.

Mattos, ainda jovem, não sabe que o vermelho da Coca-Cola nada tem a ver com Papai Noel, como teorias ingênuas buscam confundir.

E que a saudável comida do McDonald's não tornou obesa a sociedade capitalista sem segundas intenções. Basta olhar, também, a cor predominante no logotipo da rede de lanchonetes, para não falar daquele "M", amarelo, como a foice e o martelo do PC do B, cor do ouro de Moscou, de Pequim e de Tirana, pois não.
Trata-se do insidioso movimento comunista internacional invadindo corações e mentes, e estômagos desavisados.

E a cor da marca do nosso bravo banco, com sede, não por acaso, na Cidade de Deus?

Pobre de quem acha que o comunismo perdeu.

Vida eterna ao camarada Silva.

Fonte: Folha de S. Paulo

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