terça-feira, 22 de março de 2011

Herdeira tenta evitar venda da Lista de Schindler na internet

O documento com o nome de 1200 judeus salvos do Holocausto com a ajuda de Oskar e Emilie Schindler está sendo negociado na internet. Erika Rosenberg, herdeira da família alemã, tenta evitar sua comercialização.
A Lista de Schindler: judeus salvos de campos de concentração

A Lista de Schindler, que deu nome ao filme dirigido por Steven Spielberg em 1993, é alvo de controvérsia. O documento com o nome de 1200 judeus salvos pelo casal Oskar e Emilie Schindler durante a Segunda Guerra foi colocado à venda na internet por um valor estimado em três milhões de dólares.

A relíquia está sendo comercializada pelo negociante norte-americano Gary J. Zimet por meio do site momentsintimes.com. Na página online é possível visualizar os nomes datilografados dos judeus que escaparam dos campos de concentração nazistas com a ajuda do alemão Oskar Schindler.

A versão à venda contém 14 páginas com 801 nomes masculinos – as cinco páginas os nomes de mulheres e crianças não estão incluídas. A Lista contém ainda a data de nascimento e a profissão dos judeus que conseguiram escapar do regime nazista com a ajuda da família alemã.

"Um documento histórico tão importante como esse tem que ir para um museu", considera Erika Rosenberg, herdeira de Emile Schindler, esposa do empresário Oskar Schindler. Rosenberg vive na Argentina e briga para impedir que a Lista seja comercializada.

Testemunho da História

Erika Rosenberg acionou a Justiça em Nova York para evitar a negociação do documento. O pedido, no entanto, foi negado por um tribunal em dezembro último, e a herdeira não pôde levar o caso adiante por falta de recursos financeiros.

"Não se pode vender a lista por milhões já que a família Schindler, depois da guerra, teve que viver em condições bastante humildes", lembra Rosenberg, filha de judeus que fugiram do Holocausto. A escritora e jornalista conheceu Emilie Schindler em 1990 em Buenos Aires, Argentina, onde o casal Schindler se exilou depois da Segunda Guerra.

Em 1997, Rosenberg escreveu a primeira biografia de Emilie Schindler, com outros dois livros sobre a família publicados em 2001. A alemã morreu aos 93 anos, em 2001, na capital argentina – Oskar Schindler, que havia retornado para a Alemanha em 1958 depois de seu fracasso econômico no país latino-americano, faleceu em 1974.

"Não se trata de uma questão de dinheiro. Eu exijo apenas que a vontade de Oskar, e também a de Emilie, seja levada em consideração, que a documentação sobre o salvamento dos judeus seja disponibilizada ao público em museus alemães", diz Erika Rosenberg.

Lista negociada

Segundo informações publicadas na página de internet gerenciada por Gary J. Zimet, o raro exemplar é o único dos originais da Lista de Schindler a ser negociado. O documento foi obtido por meio de Itzhak Stern, contador da família Schindler e braço direito de Oskar.

A procedência do material, de acordo com Zimet, é segura. Haveria ainda outras três listas: duas no museu e centro de documentação Yad Vashem, em Israel, e outra no Museu do Holocausto, nos Estados Unidos. Nenhuma das Listas originais está em exposição na Alemanha.

A versão à venda é a penúltima feita por Oskar Schindler, de 18 de abril de 1945 – acredita-se que ao todo tenham sido elaboradas sete listas. "Uma relíquia mais comovente e histórica da Segunda Guerra não pode ser imaginada. Está é uma grande oportunidade de se obter um item de magnitude inimaginável", diz a mensagem no momentsintimes.com.

O preço, entretanto, não aparece na página online. Os interessados na Lista de Schindler são convidados a entrar em contato com o negociante.

Autora: Nádia Pontes
Revisão: Roselaine Wandscheer

Fonte: Deutsche Welle

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