sexta-feira, 11 de março de 2011

Cristãos e muçulmanos pedem convívio pacífico entre religiões no Cairo

Milhares de egípcios voltam à Praça Tahrir, mas concentração é menor que anteriores

EFE / O Estado de S. Paulo 
Egípcio leva cruz e Corão, símbolo de cristãos e muçulmanos.

Milhares de egípcios cristãos e muçulmanos compareceram nesta sexta-feira, 11, à Praça Tahrir, no centro do Cairo, para rezar e pedir a convivência pacífica entre ambas as religiões, em uma concentração menor que em outras ocasiões.

Os enfrentamentos dos últimos dias entre cristãos coptas e muçulmanos levaram nesta sexta-feira cerca de cinco mil egípcios a pedir a unidade entre as duas religiões em uma oração conjunta na praça Tahrir, símbolo dos protestos contra o regime de Hosni Mubarak.

O protesto transcorreu de forma pacífica ao longo da manhã e não houve confrontos entre os manifestantes, que gritaram frases como "Os cristãos e os muçulmanos dão as mãos" e seguraram cruzes de madeira e livros do Corão. "O povo egípcio tem que ser um só, tem que estar unido", disse o estudante muçulmano Haisam Agis, quem foi à praça Tahrir mostrar seu apoio aos "irmãos cristãos" e condenar os atos de violência dos últimos dias, nos quais pelo menos 13 pessoas morreram.

Por sua vez, a manifestante cristã Susan Atala declarou que os egípcios "devem viver juntos porque o Egito é formado por cristãos e também por muçulmanos". Segundo ela, após a queda de Mubarak, "o Exército não está fazendo o suficiente" para proteger os cristãos coptas. "Se o Exército fizesse algo, tudo seria melhor", disse, assegurando ter esperanças de que em um Egito democrático os coptas não serão discriminados como durante o regime de Mubarak.

Alguns dos manifestantes afirmaram que os choques entre cristãos e muçulmanos dos últimos dias são uma tentativa dos partidários do ex-presidente de prejudicar o processo de transição do país. "É uma conspiração que surge das cinzas do regime para destroçar a revolução, para estragar nossa vitória", disse, por sua vez, o manifestante Muataz Gamin.

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