sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

O êxodo de cristãos iraquianos continua

Soldado iraquiano anda perto de muro crivado de balas passado em Kirkuk, Iraque. Foto: Foto da ONU John Isaac

Nos últimos tempos, o Iraque tem sido conhecido pela emigração em massa dos cristãos que, após os violentos ataques, temem por sua segurança. No último dia 18, líderes cristãos iraquianos afirmaram que muitos ainda deixarão o país, principalmente agora após as declarações de "missão cumprida" e com as retiradas das tropas americanas.

A declaração foi feita na reunião do Comitê Central do Conselho Mundial das Igrejas, em Genebra, na Suíça, onde os líderes foram solicitar ajuda universal. Os líderes acreditam que a segurança dos cristãos não será garantida e há pouca esperança de uma melhora de vida em curto prazo.

"É mais difícil para todo o povo do Iraque, mas especialmente para os cristãos", disse o arcebispo Georgis Sliwa da Igreja Armênia do Iraque. "Este remanescente não tem sentido nenhuma segurança, especialmente politicamente e não têm nenhuma esperança para o futuro de seus filhos.”

O arcebispo Avak Asadourian viu mais de 85% de sua congregação deixar o país nos últimos cinco anos.

Remanescentes

"Trabalhamos muito duro junto do governo iraquiano em combate à violência, conflitos e como cessá-los para que as pessoas possam voltar", disse o patriarca Addai II. "Como não obtemos uma resposta, nos voltamos a outros lugares em busca de apoio. Nossa esperança é que todos os que deixaram o país, retornem assim que as condições de segurança, estabilidade, infraestrutura se ajustem corretamente. Agora há pouca esperança e uma urgência: pelos que ainda estão no Iraque", acrescentou.

A constituição do país garante direitos iguais a todos os iraquianos, e Sliwa diz que “trabalhando juntos, o Iraque será fortalecido, pois reforçar o governo ocasionará a proteção do povo", conclui.

O reverendo Yousif Al-Saka da Igreja Presbiteriana de Bagdá disse as manifestações políticas de todo o mundo árabe não afetará o Iraque, já que “seu regime é um sistema constitucional, não ditatorial", explicou. "O principal problema no Iraque é a segurança social. Se queremos que as pessoas, especialmente os cristãos, voltem, temos que estabelecer a segurança."

Igreja persistente

Apesar dos números decrescentes, o testemunho das igrejas Iraque persiste. Mesmo mais silenciosos e com proteção policial, os cultos ainda ocorrem segundo Asadourian, além do trabalho diaconal.

"O trabalho da diaconia é muito ativo por causa da necessidade", declara. "As cristãs são quem visitam as casas. Ajudam as famílias com assistência médica, ajuda monetária, alimentação, habitação. A necessidade é muito forte porém não é suficiente.”

Sliwa afirma: "A igreja é o refúgio espiritual do povo".

Embora a situação seja de extrema pressão, as igrejas cristãs no Iraque não estão prestes a desistir: "Apesar de todas as dificuldades, estamos esperançosos porque somos cristãos", disse Asadourian, “e amamos nosso país".

Fonte: Anglican Journal / Portas Abertas
Tradução: Carla Priscilla Silva

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