sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Mudança de hábito



Concordo profundamente com o escritor Percival Puggina quando, em artigo publicado recentemente, afirma que “os valores são pilares e vigas sobre os quais se estrutura a cultura de uma civilização.” No entanto, infelizmente, a base dos valores que sustentam o comportamento humano está, aos poucos, sendo deteriorada pelas cenas bizarras e diálogos deselegantes que vemos, atualmente, na mídia eletrônica.

Não estou, com isso, dizendo que não há programas educativos e interessantes na TV. São poucos, mas existem. Mas refiro-me, principalmente, às novelas e aos reality-shows. E também a alguns programas de auditório, quase sempre conduzidos por apresentadores e participantes que não falam nada que valha a pena ouvir.

A programação televisiva, em geral, é caótica. As novelas apostam em traições, sacanagens e enganações. A ingenuidade deu lugar à malícia. Recentemente, em uma cena de novela, nem os idosos foram poupados. Em pleno horário nobre, fomos surpreendidos com a imagem de uma velhinha – por volta de seus oitenta anos – esfregando-se com o seu futuro marido e, ao mesmo tempo, exibindo olhares travessos para outro velhinho. Lembram disso? Pois é, e o pior de tudo é que alguns pais insanos insistem em manter seus filhos em contato com toda essa aberração.

Sei que não é nada fácil educar filhos no mundo de hoje, já que as regras internas, muitas vezes, são desconstruídas pelas interferências negativas externas. Entretanto, cabe aos pais a missão de impor limites, estabelecer horários e ensinar o que é certo e o que é errado. E, para isso, não é necessário um autoritarismo exacerbado. É preciso ser paciente, atento e amigo.

Tive uma sensação muito ruim quando, algum tempo atrás, vi uma criança de 11 anos assistindo ao programa Big Brother, porque, definitivamente, não é algo educativo sentar-se em frente à tela da televisão e gastar um tempo vendo um bando de seres excêntricos que mal se conhecem e passam dias e noites se agarrando em festas.

Fico apavorado e frustrado quando vejo crianças e adolescentes com os olhos fixos na tela do computador durante horas, perdendo tempo com futilidades. Poderiam, ao invés disso, ler livros adequados para suas idades.

A oferta de porcarias é grande e interminável. Devemos, porém, ser resistentes e dizer “não” àquilo que não nos interessa.

Luciano Corrêa Iochins/Jornalista e professor de Língua Inglesa e Língua Espanhola

Fonte: Gazeta do Sul
Imagem: Internet

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