quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Jovens demoram cada vez mais para entrar na vida adulta

Pesquisa espanhola, realizada em parceria com a Unicamp, aponta que idade para conseguir independência familiar subiu para até 30 anos

O Estado de S. Paulo

A transição para a vida adulta está acontecendo cada vez mais tarde para jovens espanhóis, segundo uma pesquisa feita pela Universidade Autônoma de Barcelona (UAB) em colaboração com a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

De acordo com Pau Miret Gamundí, pesquisador do Centro de Estudos Demográficos da UAB, o estudo tinha como objetivo "avaliar as transformações nos padrões de como os jovens ganharam a sua independência na Espanha nas últimas décadas do século 20".

A transição da juventude para a vida adulta pode ser dividida em três fases principais, segundo o estudo: a passagem da vida estudantil para o mundo do trabalho; a transição de um membro dependente do grupo familiar para uma figura independente (emancipação residencial); e passar da posição de ser apenas filho para ser pai (formação da família).

"Nossos resultados mostram que houve uma mudança significativa na idade em que as mudanças de status mais intensas ocorreram, que foram seis anos mais tarde em 2001 do que em 1981", diz Miret, que é co-autor do estudo, publicado no jornal REIS.

Este intervalo de tempo foi o mesmo para ambos os sexos. Em 1981, a idade média com que os jovens adquiriram a independência total foi de 22 para o sexo feminino e 24 para o sexo masculino, enquanto em 2001 essas idades subiram para 28 e 30, respectivamente. "Essas idades, em comparação com outros países fora do sul da Europa, são consideradas extremamente tardias", explica o pesquisador.

Não houve diferença regional no que diz respeito às diferentes comunidades autônomas, como mostrado no estudo detalhado de casos particulares na Catalunha, representante de um cenário urbano e industrializado, e da Galiza, que é mais rural. Quando as duas regiões foram comparadas, os pesquisadores concluíram que os resultados convergiram para padrões idênticos de independência.

O estudo é baseado em dados dos censos espanhóis para este período, que foram fornecidos pela Universidade de Minnesota (EUA), como parte de um projeto que tenta coletar os dados do censo do maior número possível de países. O próximo censo que vai permitir novos cálculos sobre da transição para a vida adulta será realizado em 2011.

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