quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Debate em Cambridge: Israel é um Estado anômalo?


Gabriel Latner, 19 anos, estudante de Direito da Universidade de Cambridge, apoiava em um debate, em outubro de 2010, a moção de que “Israel é um estado anômalo”. No entanto, mudou de postura e passou a defender com argumentação vigorosa o Estado Judeu.

Texto de Gabriel Latner:

“Esta é uma guerra de ideais, e outros palestrantes hoje são idealistas. Eu não sou. Sou realista. É tão fácil torcer o significado das “leis internacionais” para fazer o Estado de Israel parecer um estado criminoso. E isto tem sido feito indefinidamente. A verdade é que tratar mal seus cidadãos ou de nações ocupadas não faz um estado ser “criminoso”. Se fosse assim, Canadá, EUA e Austrália seriam criminosos pelo tratamento de suas populações indígenas. Da mesma forma, os ingleses, pelo tratamento dado aos irlandeses.

Estes argumentos, mesmo que emocionalmente válidos, falham em ter rigor intelectual. Neste discurso, vou apresentar cinco argumentos pró-Israel, mostrando que Israel não é um estado ”criminoso”. Discutirei somente se Israel é “anômalo” (no original, rogue). A palavra “anômalo” tornou-se excepcionalmente maldosa. Mas o termo propriamente dito é neutro. O dicionário de Oxford define “anômalo” como “extravagante, mal colocado, ocorrendo em um lugar ou tempo inesperado”. Um estado exatamente como Israel.

O primeiro argumento é estatístico. O fato de Israel ser unicamente um estado judeu já o torna “anômalo”. Existem 195 países no mundo. Alguns são cristãos, outros muçulmanos, alguns são seculares. Israel é o único país judaico. Ou, em termos matemáticos, a chance de qualquer estado se tornar judaico é de 0,0051%. Em comparação, a chance de alguém ganhar 10 libras na loteria britânica é de 0,017% - mais do que o dobro. O judaísmo de Israel é uma aberração estatística.

O segundo argumento trata do humanitarismo de Israel - em particular a resposta de Israel ao problema dos refugiados. Não à crise de refugiados palestinos, mas o caso dos refugiados darfurianos. Todos sabem que o que esteve e está acontecendo em Darfur é genocídio, mesmo que a ONU e a Liga árabe não chame assim. Existe um êxodo da população de Darfur, para fugir da morte. Eles não têm tido sorte. Muitos foram para o norte - o Egito - onde são tratados indignamente. Os bravos fogem pelo deserto para alcançar Israel. Enfrentam não somente as ameaças naturais do Sinai, como servem de alvo para a prática de tiro dos soldados egípcios que patrulham as fronteiras.

Por que correm o risco? Porque em Israel são tratados com compaixão. O governo de Israel foi ainda mais longe ao conceder cidadania israelense a centenas de darfurianos. Somente isso coloca Israel à parte do resto do mundo. Mas o verdadeiro ponto de diferença é este: o Exército de Israel envia soldados e pessoal médico para patrulhar a fronteira com o Egito. São mandados para procurar refugiados tentando cruzar a fronteira. Não para mandar as pessoas de volta, mas para salvá-los da desidratação, exaustão pelo calor e tiros dos soldados.

Comparemos isto com a reação dos Estados Unidos à imigração ilegal por suas fronteiras com o México. O governo americano tem aprisionado civis por dar água aos transgressores que estavam morrendo de sede - enquanto o governo de Israel manda soldados para salvar imigrantes ilegais. Chamar isso de uma espécie de conduta anômala é um depoimento pouco sério.

Meu terceiro argumento é que o governo de Israel faz uma coisa que o resto do mundo evita - ele negocia com terroristas. Esqueça o último líder da OLP (Organização pela Liberdade da Palestina), Yasser Arafat, um homem que morreu com sangue em suas mãos. Israel está negociando com os terroristas. Yasser Abed Rabbo é um dos condutores dos negociadores da OLP que foi mandado para conversar com Israel. Era um dos líderes da FLPL (Frente para Libertação da Palestina) - uma organização de “guerreiros da liberdade” que matou 22 estudantes israelenses de uma escola. E o governo israelense mandou delegados para sentar à mesa com este homem e falar sobre a paz.

Nunca vimos o governo espanhol em conversações de paz como líderes do ETA (Movimento de libertação basco) - o governo britânico nunca negociou com Tomas Murphy. E se o presidente Obama conversasse com Osama Bin Laden, o mundo veria isso como insanidade. Mas Israel faz exatamente isso. Essa é a definição de “anômalo” - conduzir-se de uma forma inesperada ou anormal.

Outra parte da definição do dicionário de Oxford é o comportamento ou atividade “ocorrendo em um tempo ou lugar inesperado”. Quando você compara Israel a seus vizinhos, torna-se claro como Israel é “criminoso”. E aqui temos o quarto argumento: Israel tem o melhor relatório sobre direitos humanos que qualquer um de seus vizinhos. Em nenhum momento, existiu um estado democrático no Oriente Médio. Israel é o único país onde a comunidade LGBT (homossexuais, lésbicas, transsexuais) têm direitos iguais.

No Kuwait, Oman, Qatar e Síria a conduta homossexual é punida com chibatadas, aprisionamento ou ambas. Melhor do que no Irã, Arábia Saudita e Yemen, onde são condenados à morte. O homossexual israelense pode adotar filhos, servir no exército, entrar nos sindicatos e é protegido por leis antidiscriminatórias fortes. As leis combatem a pena de morte. De fato, o sistema jurídico é melhor do que nos EUA. A proteção das liberdades civis dos cidadãos de Israel ganhou o reconhecimento mundial.

A “Casa da Liberdade” é uma ONG que publica anualmente um relatório sobre democracia e liberdades civis de 195 países do mundo. Classifica o país como “livre”, “parcialmente livre” e “não livre”. No Oriente Médio, Israel é o único que ganhou a designação de “livre”. Não é surpresa. Irã é um país designado como “não livre”, ao lado da China, Zimbabwe, Coreia do Norte e Myamar. No Irã, existe um “tribunal da imprensa”, que julga jornalistas por crimes abomináveis como criticar os aitolás, atacar “as fundações da república islâmica”, usar fontes suspeitas (isto é: “ocidentais”), ou insultar o Islã. O Irã é o líder mundial em termos de jornalistas presos, 39 (pelo que sabemos). Também expulsaram quase todos os jornalistas ocidentais durante a eleição de 2009. Realmente, penso que não podemos esperar menos de uma teocracia. A maioria dos países do Oriente Médio é de teocracias e autocracias. E Israel é o único “anômalo” democrático. Único na região em que protestos antigovernamentais são relatados sem censura.

Tenho um argumento final. Ele está sentado logo ali em frente na plateia. A presença do Sr.Ran Gidor é evidência cabal de que precisamos para provar que Israel é um estado “anômalo”. Para aqueles que nunca ouviram falar do Sr.Gidor, ele é o conselheiro político adido à embaixada de Israel em Londres. É quem o governo de Israel escolheu para representá-lo na ONU. Ele está aqui hoje. Consideremos, por um momento, o que sua presença representa. O governo israelense permitir que um alto representante de sua diplomacia participe de um debate sobre sua legitimidade. Isso é extraordinário. Vocês acham, por um minuto, que outro país faria o mesmo?

Se a Universidade de Yale organizasse um debate onde a moção fosse: “Esta casa acredita que a Inglaterra é um estado totalitário e racista, que cometeu danos irreparáveis aos povos do mundo”, o governo inglês permitiria que qualquer de seus funcionários participasse de tal debate? Não. A China participaria de um debate sobre Taiwan? Nunca. E não há chance de os EUA participarem de um debate sobre os prisioneiros de Guantánamo. Mas Israel mandou o Sr.Gidor para debater com um jovem de 19 anos, estudante de Direito, que está completamente desqualificado para tratar do assunto em pauta. Mais uma vez, Israel está se comportando de forma inesperada ou anormal. Comportando-se como um estado “anômalo”.

E aqui está o argumento final: Israel, de propósito, desconsidera e não obedece às leis internacionais. Em 1981, Israel destruiu Osirak - o laboratório da bomba nuclear de Saddam Hussein. Todos os governos no mundo sabiam que Hussein estava construindo uma bomba e não fizeram nada. Exceto Israel. Sim, ao fazer isso, quebrou a lei internacional e a norma. Mas também nos salvou de um Iraque nuclear. Por essa ação criminosa, Israel deveria ganhar um lugar de respeito aos olhos dos povos amantes da liberdade. Mas não.

Hoje à noite, enquanto nós conversamos, o Irã está fazendo uma bomba. E se você for honesto consigo mesmo, sabe que Israel é o único país que pode e irá fazer algo. Israel agirá, por necessidade, agirá em uma forma que não é normal, e é melhor que faça de uma forma destrutiva. Qualquer pessoa sã prefere um estado “anômalo” a um Irã nuclear”.

Tradução: Jayme Gudel/ Edição: Conib.

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